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MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
AOS PARTICIPANTES NO IX FORO INTERNACIONAL
DOS JOVENS REALIZADO EM ROCCA DI PAPA (ITÁLIA)

 

Ao Arcebispo D. STANISLAW RYLKO
Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos

Estou particularmente feliz por transmitir a minha cordial saudação a Vossa Excelência, Venerado Irmão, ao Secretário, aos Colaboradores do Pontifício Conselho para os Leigos e a quantos estão a participar no IX Foro internacional dos jovens, sobre o tema: "Testemunhas de Cristo no mundo do trabalho", que se realiza nesta semana na localidade de Rocca di Papa. Dirijo-me com especial afecto aos jovens delegados das Conferências Episcopais e de vários Movimentos, Associações e Comunidades internacionais, provenientes dos cinco continentes e comprometidos em sectores muito diferenciados. Estendo o meu deferente pensamento aos competentes relatores, que aceitaram oferecer ao encontro a contribuição da sua capacidade e da sua experiência.

O tema é actual como nunca, porque tem em consideração as transformações ocorridas ao longo dos últimos anos nos campos da economia, da tecnologia e da comunicação, que modificaram radicalmente a fisionomia e as condições do mercado de trabalho. Se, por um lado, os progressos alcançados despertaram renovadas esperanças nos jovens, por outro, criaram entre eles frequentes e preocupantes formas de marginalização e de exploração, com crescentes situações de dificuldade pessoal. Por causa da relevante diferença entre os âmbitos formativos e o mundo do trabalho, aumentaram as dificuldades de encontrar uma actividade de trabalho que corresponda às atitudes pessoais e aos estudos completados, além disso com o agravar-se da incerteza acerca da possibilidade de poder conservar depois ao longo do tempo um emprego modesto. O processo de globalização em curso no mundo trouxe consigo uma exigência de mobilidade que obriga numerosos jovens a emigrar e a viver longe do país de origem e da própria família. E isto gera em muitos indivíduos um inquietador sentido de insegurança, com indubitáveis repercussões sobre a capacidade não apenas de imaginar e de pôr em prática um programa para o futuro, mas até de se comprometer concretamente no matrimónio e na formação de uma família. Trata-se de problemáticas complicadas e delicadas, que devem ser oportunamente enfrentadas, em consideração da realidade contemporânea e em referência à doutrina social, acerca da qual se oferece uma adequada apresentação no Catecismo da Igreja Católica e, principalmente, no Compêndio da Doutrina Social da Igreja.

Com efeito, foi constante ao longo destes anos a atenção da Igreja à questão social, e de modo particular ao mundo do trabalho. É suficiente recordar a Encíclica Laborem exercens, publicada há pouco mais de vinte e cinco anos, no dia 14 de Setembro de 1981, pelo meu amado predecessor João Paulo II. Ela reitera e actualiza as grandes intuições desenvolvidas pelos Sumos Pontífices Leão XIII e Pio XI, nas Encíclicas Rerum novarum (1891) e Quadragesimo anno (1931), ambas escritas na época da industrialização da Europa. Num contexto de liberalismo económico condicionado pelas pressões do mercado, pela concorrência e pela competitividade, estes documentos pontifícios evocam com força a necessidade de valorizar a dimensão humana do trabalho e de salvaguardar a dignidade da pessoa: efectivamente, a referência última de cada actividade humana só pode ser o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. De facto, uma aprofundada análise desta situação leva a constatar que o trabalho faz parte do desígnio de Deus sobre o homem, e que ele consiste na participação na Sua obra criadora e redentora. E portanto, cada actividade humana deveria constituir uma ocasião e um lugar de crescimento dos indivíduos e da sociedade, desenvolvimento dos "talentos" pessoais a valorizar e a pôr ao serviço ordenado do bem comum, em espírito de justiça e de solidariedade. Além disso, para os crentes a finalidade última do trabalho é a construção do Reino de Deus.

Enquanto vos exorto a valorizar o diálogo e a reflexão destes dias, formulo votos a fim de que esta importante assembleia juvenil constitua para os seus participantes uma fecunda ocasião de crescimento espiritual e eclesial, graças à partilha dos testemunhos e das experiências, à oração conjunta e às liturgias celebradas em comum. Hoje é necessário e urgente como nunca proclamar "o Evangelho do trabalho", viver como cristãos no mundo do trabalho e tornar-se apóstolos entre os trabalhadores. Todavia, para cumprir esta missão é necessário permanecer unidos a Cristo, com a oração e uma intensa vida sacramental, valorizando com esta finalidade de maneira especial o Domingo, que é o Dia dedicado ao Senhor. Enquanto encorajo os jovens a não desanimarem diante das dificuldades, tenho um encontro marcado com eles no próximo domingo, na Praça de São Pedro, onde terá lugar a solene celebração do Domingo de Ramos e da XXII Jornada Mundial da Juventude, última etapa de preparação para a Jornada Mundial da Juventude, que se há-de realizar no próximo ano em Sidney, na Austrália.

No corrente ano, o tema de reflexão é o seguinte: "Assim como Eu vos amei, vós também deveis amar-vos uns aos outros" (Jo 13, 34). Na presente circunstância, reitero quanto escrevi aos jovens cristãos do mundo inteiro, na minha Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude, ou seja, a fim de que se reavive nos jovens "a confiança no amor verdadeiro, fiel e forte; um amor que gera paz e alegria; um amor que une as pessoas, levando-as a sentir-se livres no respeito recíproco" e capazes de desenvolver plenamente as suas próprias potencialidades. Não é importante apenas tornar-se mais "competitivos" e "produtivos"; é necessário ser "testemunhas da caridade". Com efeito, somente assim, com a assistência também das respectivas paróquias, movimentos e comunidades, em que é possível fazer a experiência da grandeza e da vitalidade da Igreja, os jovens de hoje serão capazes de viver o trabalho como uma vocação e uma verdadeira missão. Para esta finalidade, asseguro a minha lembrança na oração e, enquanto invoco a salvaguarda celestial de Maria e de São José, Padroeiro dos trabalhadores, transmito-lhe do íntimo do coração, Venerado Irmão, bem como a quantos participam no Foro internacional e a todos os jovens trabalhadores cristãos, uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 28 de Março de 2007.

PAPA BENTO XVI

 



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