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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

Cristãos envernizados

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 46 de 13 de Novembro de 2014

Existem pessoas que de cristãos têm só o nome, e de sobrenome chamam-se «mundanos». São «pagãos com duas pinceladas de verniz», e contudo perecem-nos cristãos quando nos cruzamos com eles na missa todos os domingos; na realidade escorregaram a pouco e pouco na tentação da «mediocridade», a ponto que olham «com orgulho e soberba» para as coisas terrenas mas não «para a cruz de Cristo».

Partindo do trecho evangélico da carta de Paulo aos Filipenses (3, 17-4, 1), «os seus discípulos predilectos», na qual o apóstolo se dirige a eles chamando-os «meus caríssimos e tão amados irmãos, alegria e coroa minha». E exorta-os a «imitar alguns e não outros», aconselhando precisamente a «olhar para quantos se comportam segundo o exemplo que tendes em nós: imitai estes, os cristãos que vão em frente na vida de fé, de serviço, na Igreja. Mas não imiteis os outros!».

Pelo texto compreende-se bem, explicou o Papa, que Paulo já tinha falado deste problema em diversas ocasiões. Contudo, prosseguiu o Pontífice, «ambos os grupos estavam na igreja; todos juntos iam à missa dominical, louvavam ao Senhor, chamavam-se cristãos e baptizavam os filhos». Mas então «qual era a diferença?». Paulo é claro e recomenda aos Filipenses: «Para estes nem sequer olhar! Porquê? Porque se comportam como inimigos da cruz de Cristo! Cristãos inimigos da cruz de Cristo!». Lê-se na carta: «Orgulham-se do que deveriam envergonhar-se e só pensam nas coisas terrenas».

Em síntese, são «cristãos mundanos, cristãos de nome, com duas ou três coisas de cristão, mas nada mais». Têm o nome cristão, mas uma vida pagã», ou, por outras palavras, «pagãos com duas pinceladas de verniz de cristianismo: assim parecem cristãos, mas são pagãos. Estas pessoas, irmãos nossos», não existiam só no tempo de Paulo. Também hoje há tantos. Na realidade, «a tentação de se habituar à mediocridade é a sua ruína, porque o coração se entorpece, tornando-se morno».

Dado que não se trata de uma questão circunscrita aos Filipenses do tempo de Paulo, o Papa propôs uma série de perguntas concretas a fazer-se a si mesmos para um exame de consciência: «A este ponto cada um de nós deve questionar-se: mas terei algo como estes? Terei algo da mundanidade dentro de mim? Algo de paganismo? Gosto de me gabar? Agrada-me o dinheiro? Gosto do orgulho, da soberba? Onde estão as minhas raízes, ou seja, de onde sou cidadão? Do céu ou da terra? Do mundo ou do espírito mundano?». A nossa cidadania está nos céus e de lá esperamos, como salvador, o Senhor Jesus Cristo». Mas qual é a cidadania dos inimigos da cruz? O apóstolo responde que «o seu destino final será a perdição». Portanto, esclareceu o Papa, «aqueles cristãos envernizados acabarão mal».

Mas Paulo aconselha os Filipenses a «permanecer firmes no Senhor segundo o exemplo que vos dei; e não permitais que se enfraqueça o vosso coração, a vossa alma e que acabe no nada, na corrupção». Esta — concluiu o Papa — «é uma graça bonita para pedir: permanecer firmes no Senhor: há toda a salvação, ali dar-se-á a transfiguração em glória. Será Tudo!» Portanto, a graça que devemos pedir hoje é a de permanecer «firmes no Senhor e no exemplo da cruz de Cristo: humildade, pobreza, mansidão, serviço aos outros, adoração, oração».

 


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