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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

O dia das crianças

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 47 de 20 de Novembro de 2014

Um pequeno dia romano da juventude. Ou melhor, um dia das crianças, com uma vivaz lição de catecismo directamente com o bispo. Foi uma experiência vivida por um grupo de crianças da paróquia de Santa Maria Mãe da Providência, no bairro Gianicolense, que participaram na missa celebrada pelo Papa. E para «transmitir a fé» às crianças de hoje, afirmou Francisco, servem pessoas que dêem o exemplo e «não palavras».

A sua presença na missa não passou despercebida. «Se olho para aquele lado parece-me a jornada da juventude!» comentou o Pontífice iniciando a sua homilia e confidenciando que para ele era como celebrar aquela que nas paróquias é a missa para as crianças». E «é agradável olhar para os jovens», frisou porque significa «olhar para um futuro, para uma promessa, para o mundo que virá».

Mas — e foi a primeira pergunta feita por Francisco aos adultos, aos educadores — «o que deixamos aos jovens? Que exemplo damos?». Sobretudo, insistiu referindo-se à segunda Carta de são João: (1, 3-9) acabada de proclamar, «ensinamos o que ouvimos na primeira leitura: caminhar no amor e na verdade? Ou ensinamos com as palavras, mas a nossa vida vai por outro lado?». Eis por que o Papa fez questão de reafirmar que «para nós olhar para os jovens é uma responsabilidade». Com efeito, «um cristão deve ocupar-se dos jovens, das crianças e transmitir a fé, transmitir o que vive, que tem no coração: não podemos ignorar as plantinhas que crescem».

Precisamente por isto, «far-nos-á bem pensar como é a nossa atitude com as crianças, com os adolescentes e com os jovens». E propôs um exame de consciência, através de algumas perguntas: «Como é o meu comportamento? É de irmão, de pai, de mãe, de irmã que o faz crescer, ou é distante». É importante reconhecer bem o nosso comportamento a este propósito. De facto, «a todos nós compete a responsabilidade de dar o melhor que temos: a fé. Hoje as palavras não servem. Neste mundo da imagem, todos eles têm telemóvel, e as palavras não servem». O que conta a sério é o exemplo».

Olhando para os bancos onde estavam os meninos, dirigiu-se directamente a eles estabelecendo um diálogo: «E vós por que viestes à missa?». «Para te ver!» disse um jovem. Francisco respondeu: «Fico contente! Também eu gosto de vos ver! E o que dissestes é importante: para ver uma pessoa, que é bispo da cidade, que é o Papa, que vemos na TV, mas que desejamos ver de perto». Mas, aconselhou, «é também importante que tenhais o hábito de ver as pessoas grandes, as pessoas que vos dão um bom exemplo». Ou seja «ver em casa, ver na família, ver o pároco, os sacerdotes, as irmãs». Entre os presentes havia alguns jovens que receberão o sacramento da confirmação precisamente na próxima semana. De resto, disse aos seus jovens interlocutores, «este é um caminho da vida cristã que começa». E perguntou ainda: «com que sacramento inicia a vida cristã?». Imediata a resposta das crianças: «Com o baptismo!». Com o baptismo respondeu Francisco, abre-se a porta da vida cristã e depois vem o que dizia são João na primeira leitura: «Caminhar na verdade e no amor».

E retomando a conversa com o menino que, no início do diálogo, lhe tinha dito que viera para ver o Papa, prosseguiu: «Viestes para me ver, mas viestes também para ver Jesus, concordais?». E acrescentou: «Agora vem Jesus sobre o altar e todos o vemos: é Jesus. Devemos pedir a Jesus que nos ensine a caminhar na verdade e no amor. Por fim, pediu «a Jesus para que nos conceda esta graça de caminhar na verdade e no amor».

 


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