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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

A miséria e a glória
 
Terça-feira, 8 de Abril

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 15 de 10 de Abril de 2014

A cruz não é só uma decoração para as nossas igrejas nem um símbolo que nos distingue dos outros; é o mistério do amor de Deus, o qual se humilha para a nossa salvação. Comentando o Evangelho de João (8, 21-30), o Pontífice recordou que «três vezes neste trecho do Evangelho Jesus fala de morrer no próprio pecado. E este era o nosso destino. Também o destino daquele povo que atravessou o mar Vermelho, que falou mal do Senhor e amaldiçoou Deus e Moisés. Em seguida, chegaram estas serpentes e o povo disse: «Pecámos porque falámos contra o Senhor...». E se o Senhor não tivesse dado um sinal para os salvar teriam morrido no seu pecado. Não podemos sair sozinhos do nosso pecado. É algo, admitiu o Santo Padre, que «não se compreende se não se percebe o que Jesus nos diz no Evangelho». Portanto, o facto de ter erigido o símbolo do seu pecado e de o ter depois transformado num instrumento de salvação representa precisamente aquela redenção que vem de Cristo elevado na cruz.

«O cristianismo — prosseguiu o bispo de Roma — não é uma doutrina filosófica, nem um programa de vida para sermos bem educados, para fazermos as pazes. O cristianismo é uma pessoa, uma pessoa elevada na cruz. Uma pessoa que se aniquilou a si mesma para nos salvar. E assim como no deserto foi erigido o pecado, aqui foi elevado Deus feito homem por nós». Por esta razão, admoestou, «não se compreende o cristianismo sem entender esta humilhação profunda do filho de Deus que se humilhou a si mesmo tornando-se servo até à morte de cruz. Para servir».

Portanto, «o coração da salvação de Deus — afirmou o Pontífice — é o seu filho que tomou sobre si todos os nossos pecados, as nossas soberbas, certezas, vaidades e os nossos desejos de nos tornarmos como Deus. O cristão que não sabe gloriar-se em Cristo crucificado, não compreendeu o que significa ser cristão. As nossas chagas, que o pecado deixa em nós, não podem ser curadas só com as chagas do Senhor, com as chagas de Deus feito homem, humilhado, aniquilado. Este é o mistério da cruz. Não é só uma ornamentação que devemos pôr nas igrejas, nos altares; não é apenas um símbolo que nos deve distinguir dos outros. A cruz é um mistério: o mistério do amor de Deus que se humilha, que se aniquila» para nos salvar dos nossos pecados.

«Onde está o teu pecado?», perguntou o Santo Padre. «O teu pecado — foi a sua resposta — está ali na cruz. Vai procurá-lo ali nas chagas do Senhor, e o teu pecado será curado, as tuas chagas serão curadas, o teu pecado será perdoado. O perdão que Deus nos concede não significa liquidar uma conta que temos com Ele. O perdão que nos concede são as chagas do seu filho, elevado na cruz». E o seu desejo final é que o Senhor «nos atraia e que nos deixemos curar».

 



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