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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

Aqueles que abrem as portas

 Terça-feira, 13 de Maio de 2014

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 20 de 15 de Maio de 2014

O Espírito Santo está sempre em acção. Cabe ao cristão acolhê-lo ou não. Mas a diferença existe e pode ser vista: de facto, se o acolhermos com docilidade vivemos na alegria e na abertura aos outros; mas um comportamento fechado, como «aristocracia do intelecto», que pretende entender as coisas de Deus só com a mente, leva a uma separação da realidade da Igreja. A ponto que deixamos de crer, até diante de um milagre.

As leituras da liturgia (Actos dos Apóstolos, 11, 19-26 e João, 10, 22-30), explicou o bispo de Roma, «mostram um díctico: dois grupos de pessoas». Antes de tudo, no trecho dos Actos encontram-se quantos «ficaram dispersos devido à perseguição iniciada» depois do martírio de Estêvão. «Espalharam-se» mas «lançaram a semente do Evangelho em todos os lugares», dirigindo-se primeiro aos judeus. «E depois de modo natural», prosseguiu, «começaram a falar também aos gregos, anunciando que Jesus é o Senhor». E «lentamente abriram as portas aos gregos, aos pagãos». «Este — explicou o Papa — é o primeiro grupo» apresentado pela liturgia, composto por pessoas «dóceis ao Espírito Santo». O Espírito Santo age também hoje na Igreja, na nossa vida». Mas certamente é preciso «a docilidade ao Espírito Santo».

O segundo grupo de pessoas do «díctico» proposto pela liturgia é composto por «intelectuais que se aproximaram de Jesus no templo: os doutores da lei». São homens que «têm sempre um problema porque mal acabavam de entender algo, reflectiam sempre sobre as mesmas coisas, pois acreditavam que a religião era algo só da mente, da lei, do fazer mandamentos, cumprir mandamentos e nada mais». Eles, prosseguiu o Pontífice, «não imaginavam que existisse o Espírito Santo».

A questão, afirmou o Pontífice, é que «estas pessoas não têm coração, amor à beleza, nem harmonia. Querem só explicações». Mas se lhes damos as explicações, imediatamente apresentam outra pergunta! «Mas a fé é um dom de Deus que obtemos se fizermos parte do seu povo, da Igreja; se formos ajudados pelos sacramentos, pelos irmãos, pela assembleia. Se acreditarmos que esta Igreja é o povo de Deus».

Eis os dois grupos: por um lado «aqueles da mansidão, humildes, abertos e dóceis ao Espírito Santo». Por outro, «pessoas orgulhosas, auto-suficientes, soberbas, distantes do povo, aristocráticas do intelecto, que fecharam as portas e resistem ao Espírito Santo». «Olhando para estes dois grupos», concluiu o Papa, «peçamos ao Senhor a graça da docilidade ao Espírito Santo para irmos em frente, sermos criativos e alegres». Os duros de coração não são alegres mas sempre sérios. E, advertiu o Pontífice, «quando há muita seriedade não há Espírito de Deus». Portanto ao Senhor «peçamos a graça da docilidade e que o Espírito Santo nos ajude a defender-nos deste outro espírito mau da auto-suficiência, do orgulho, da soberba, do fechamento do coração ao Espírito Santo».

 



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