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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

Entre memória e esperança

 Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 21 de 22 de Maio de 2014

Jesus não é um herói solitário que veio do céu para nos salvar, mas é o ponto central e o fim último da história que Deus iniciou com o seu povo. Por isso o cristão deve ser sempre um homem eucarístico que caminha entre memória e esperança, nunca uma mónada solitária. De facto, se não caminharmos com o povo, se não pertencermos à Igreja, a fé é só algo artificial de laboratório, afirmou o Papa Francisco.

«É curioso — observou o Papa — que quando os apóstolos anunciam Jesus Cristo nunca começam por ele», pela sua pessoa, «dizendo: Jesus Cristo é o salvador!». Não. Os apóstolos iniciam o seu testemunho sempre «pela história do povo». E, frisou, vemos isto hoje no trecho dos Actos dos apóstolos (13, 13-25), o qual narra o testemunho de são Paulo em Antioquia da Pisídia. Mas «Pedro faz o mesmo nos seus primeiros discursos tal como tinha feito Estêvão».

Assim, quando perguntam aos apóstolos «por que acreditais neste homem?», eles começam a falar de «Abraão e de toda a história do povo». A razão deste comportamento é evidente: «Não se compreende Jesus sem esta história. Jesus é precisamente o fim rumo ao qual esta história vai, caminha». Eis porque, afirmou o Pontífice, «não se pode entender Jesus Cristo sem esta história de preparação para Ele». E, consequentemente, «não se pode compreender um cristão fora do povo de Deus». Porque «o cristão não é uma mónada, não está só. Ele pertence ao povo, à Igreja». A tal ponto que «um cristão sem Igreja é algo puramente ideal, não é real!». Com efeito, podemos dizer «que Deus tem história porque quis caminhar connosco».

Esta meditação do Papa Francisco levou a um exame de consciência: como é a nossa identidade cristã? Perguntemo-nos, sugeriu, «se a nossa identidade cristã é pertença a um povo — a Igreja». Porque se não for assim, «não somos cristãos». A este propósito é importante, disse o Santo Padre, «ter o hábito de pedir a graça da memória do caminho que fez o povo de Deus». Também a graça da «memória pessoal: o que Deus fez comigo na minha vida, como me fez caminhar?». E, prosseguiu, é preciso saber «pedir a graça da esperança que não é optimismo: é outra coisa». Enfim, «pedir a graça de renovar todos os dias a aliança com o Senhor que nos chamou». O Senhor, concluiu o Papa, «nos conceda estas três graças que são necessárias para a identidade cristã».

 



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