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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA

MISSA PELOS DOENTES DE CORONAVÍRUS

Segunda-feira, 9 de março de 2020

[Multimídia]


 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 10 de 10 de março de 2019

«Nestes dias oferecerei a missa pelos doentes da epidemia de coronavírus, pelos médicos, enfermeiros, voluntários, que ajudam muito, pelos familiares, pelos idosos que estão nos lares de repouso, pelos prisioneiros isolados». Com estas palavras o Papa Francisco deu início à missa celebrada na manhã de 9 de março, na capela da Casa Santa Marta. E acrescentou: «Elevemos juntos, esta semana, esta oração fervorosa ao Senhor: Salvai-me, ó Senhor, e concedei-me a misericórdia. “Os meus pés pisam caminhos retos; nas assembleias bendirei o Senhor”». São as palavras da antífona da entrada da celebração, tiradas do salmo 25 (11-12).

A missa do Pontífice foi transmitida ao vivo. No domingo 8 de março, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, anunciou que o Papa «dispôs que as missas celebradas por ele em particular em Santa Marta nos próximos dias sejam transmitidas ao vivo, também através do player do Vatican News, e distribuídas por Vatican Media aos meios de comunicação social conectados e àqueles que o solicitarem, para que quem o desejar possa seguir as celebrações em união de oração com o Bispo de Roma». Com esta escolha, Francisco, em pleno tempo de Quaresma, quis dar testemunho da sua proximidade paterna, diária, com os envolvidos na emergência da epidemia.

Para a homilia, o Pontífice inspirou-se na primeira leitura, tirada do livro do profeta Daniel (9, 4-10), que — explicou — «é uma confissão de pecados». É precisamente o povo quem reconhece que pecou. Reconhece que o Senhor foi fiel connosco, mas «todos nós pecámos, prevaricámos, praticámos a iniquidade, fomos revoltosos, afastámo-nos dos vossos mandamentos e das vossas leis. Não escutámos os vossos servos, os profetas, que falaram em vosso nome aos nossos reis, aos nossos chefes, aos nossos pais e a todo o povo da nação». Há aqui, salientou Francisco, «uma confissão dos pecados: reconhecer que pecamos». Da mesma forma, sugeriu, «quando nos preparamos para receber o sacramento da reconciliação, devemos fazer» o que se chama «exame de consciência» para «verificar o que fiz diante de Deus: pequei».

Portanto, «reconhecer o pecado». Mas «este reconhecimento do pecado — insistiu — não pode ser apenas fazer uma lista de pecados intelectuais e dizer: “pequei, depois confesso-me ao padre e ele perdoa-me”». Na realidade «não é necessário, não é correto fazer isto: seria como fazer uma lista das coisas que tenho que fazer ou que devo ter ou que fiz mal, mas permanece na cabeça».

Ao contrário, explicou o Pontífice: «uma verdadeira confissão dos pecados deve permanecer no coração». Pois, «confessar-se não é só dizer esta lista ao sacerdote: “fiz isto, isto e aquilo...” e depois vou-me embora e estou perdoado. Não, não é assim. É preciso dar um passo, mais um passo que é a confissão das nossas misérias, mas de coração». O importante, afirmou, é que «a lista do que fiz de coisas más venha do coração». E é assim que Daniel, o profeta, faz: «Para vós, Senhor, a justiça; para nós, a infâmia».

O Papa convidou a reconhecer «no coração» que pecamos, que não praticamos o bem. E quando isto acontece, disse, «temos este sentimento de vergonha: “sinto vergonha por ter feito isto. Peço-te perdão com vergonha”». Porque «a vergonha pelos nossos pecados é uma graça, devemos pedi-la: “Senhor, que eu me envergonhe”».

«Uma pessoa que perdeu a vergonha — reiterou o Pontífice — perde a autoridade moral, perde o respeito dos outros: uma pessoa sem vergonha». Mas «o mesmo acontece com Deus: para nós vergonha, para vós justiça, para nós vergonha, vergonha no rosto, como hoje». O profeta Daniel sugere: «Senhor, a vergonha no rosto para nós, para os nossos reis, os nossos chefes, para os nossos pais, porque pecámos contra vós». E «para o Senhor nosso Deus — primeiro disse a justiça — agora diz a misericórdia».

Portanto «quando temos não só a lembrança, a memória dos pecados que fizemos, mas também o sentimento de vergonha, isto comove o coração de Deus que responde com misericórdia». Eis que «o caminho para ir ao encontro da misericórdia de Deus é ter vergonha das coisas ruins, das coisas más que fizemos». E «assim, quando me confessar, direi não só a lista dos pecados, mas os sentimentos de confusão, de vergonha por ter feito isto a um Deus tão bom, tão misericordioso, tão justo». Concluindo, Francisco convidou a pedir «hoje a graça da vergonha: envergonharmo-nos dos nossos pecados». Esperando «que o Senhor nos conceda toda esta graça».

No final da missa, o Papa parou diante da imagem de Nossa Senhora com o Menino, acompanhado na oração pelo canto da antífona mariana.

 



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