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SANTA MISSA PARA O «CENTRO ALETTI»

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Capela "Redemptoris Mater"
Sexta-feira, 8 de Abril de 2016

[Multimídia]


 

(L'Osservatore Romano, ed. semanal em português,  n.15, 14/04/2016)

 Vereda do serviço

O caminho do cristão não é o mesmo dos arrivistas, nem daqueles que seguem o deus dinheiro, procurando ocasiões para se ostentar diante dos outros: o testemunho de Jesus Cristo implica abaixamento, humilhação e até perseguições e sofrimentos, recordou o Papa Francisco durante a santa missa celebrada na capela Redemptoris Mater no Vaticano, na parte da tarde de 8 de abril. A ocasião foi oferecida pelo vigésimo quinto aniversário do centro de estudos e pesquisas intitulado a Ezio Aletti, fundado pelo sacerdote jesuíta Marko Ivan Rupnik imediatamente depois da derrocada dos regimes comunistas do leste europeu, e pelo vigésimo aniversário de fundação do Atelier de arte espiritual, ligado ao mencionado centro e intitulado à memória do saudoso cardeal Tomáš Špidlík.

Entre os numerosos concelebrantes estava presente também o próprio padre Rupnik (autor, entre outros, dos mosaicos que adornam a capela no Palácio apostólico) e o sacerdote jesuíta Milan Žust, superior da comunidade religiosa do mesmo centro. Estavam presentes aproximadamente oitenta pessoas.

Seguindo a liturgia do dia, o Sumo Pontífice deu continuidade à reflexão começada nas missas celebradas recentemente na Casa de Santa Marta, aprofundando o conceito de testemunho cristão. Trata-se de um testemunho que — como foi ressaltado também pelo trecho tirado dos Atos dos Apóstolos, em que se descreve o aprisionamento de Pedro e de João, depois da cura do paralítico em Jerusalém — exige a graça do Espírito Santo. Ninguém pode dar testemunho sozinho. Mas corroborado pelo Espírito Santo o cristão será capaz também de sofrer ultrajes e até perseguições, sem renunciar a ensinar e anunciar que Jesus é o Cristo.

Não devemos pensar — explicou o Papa — numa espécie de espiritualidade masoquista, que se deleita com o sofrimento e com a dor, mas é necessário reconhecer e fazer nossa a espiritualidade do reino de Deus, aquela que se encontra viva em Jesus. Ele nunca segue o caminho da elevação: quando o povo quer fazê-lo rei, Ele retira-se para as montanhas.

O seu exemplo consiste no abaixamento, no esvaziamento e no serviço: somente aqueles que o seguem ao longo deste caminho poderão encontrar paz e felicidade. Por isso, até quantos não são chamados a viver a experiência da perseguição, nem a derramar o próprio sangue pela fé, e contudo vivem no silêncio, sem julgar, e na mansidão, humanamente falando perdem, não ganham. Em síntese, num «balanço» hipotético o testemunho è sempre uma perda. Contudo, não somos cristãos para ganhar posições aos olhos do mundo.

A lição, concluiu o Pontífice, vem de Maria. Neste sentido, Francisco recordou como ele mesmo gosta de recitar o terço diante de um ícone de Nossa Senhora com o Menino no colo. Neste ícone, Maria parece ocupar o lugar central, mas na realidade Ela usa as suas mãos como uma espécie de degrau através do qual Jesus pode descer para ser assim um de nós. O centro é sempre Jesus, que se abaixa para caminhar com os homens, aos quais pede que o sigam pela mesma vereda do serviço.

 



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