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MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
AO 44º ENCONTRO ANUAL DO WORLD ECONOMIC FORUM
 REALIZADO EM DAVOS (SUÍÇA)

 

Ao Professor Klaus Schwab
Presidente executivo do World Economic Forum

Agradeço imensamente o seu gentil convite para me dirigir ao encontro anual do World Economic Forum, que, como de costume, se realizará em Davos-Klosters no final do corrente mês. Confiando que o encontro será ocasião para uma reflexão mais profunda sobre as causas da crise económica que atingiu todo o mundo nos últimos anos, gostaria de oferecer algumas considerações na esperança de que possam enriquecer os debates do Fórum e fornecer um contributo útil para o seu importante trabalho.

O nosso tempo é caracterizado por mudanças notáveis e progressos significativos em diversos âmbitos, com consequências importantes para a vida dos homens. Com efeito, «devem ser louvados os sucessos que contribuem para o bem-estar das pessoas, por exemplo no âmbito da saúde, da educação e da comunicação» (Evangelii Gaudium, 52), assim como em muitos outros contextos da acção humana, e é preciso reconhecer o papel fundamental que a classe empresarial moderna desempenhou em tais mudanças epocais, estimulando e desenvolvendo os enormes recursos da inteligência humana. Contudo, os sucessos alcançados, apesar de terem reduzido a pobreza para um grande número de pessoas, com frequência levam também a uma difundida exclusão social. De facto, a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo ainda continua a viver uma precariedade diária, com consequências muitas vezes dramáticas.

Nesta sede, desejo evocar a importância que têm as diversas instâncias políticas e económicas na promoção de uma abordagem inclusiva, que tenha em consideração a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum. Trata-se de uma preocupação que deveria caracterizar todas as escolhas políticas e económicas, mas às vezes parece só um acréscimo para completar o discurso. Quantos têm incumbências nesses âmbitos possuem uma responsabilidade específica em relação aos outros, particularmente aqueles que são mais frágeis, débeis e indefesos. Não podemos tolerar que milhares de pessoas morram de fome todos os dias, embora haja disponíveis quantidades enormes de alimentos, que muitas vezes simplesmente são desperdiçados. Ao mesmo tempo, não podemos ficar indiferentes diante dos numerosos prófugos em busca de condições de vida minimamente dignas, que além de não receber acolhimento, muitas vezes encontram a morte em viagens desumanas. Estou convicto de que estas palavras são fortes, até dramáticas, contudo elas pretendem acentuar, mas também desafiar, a capacidade que essa assembleia tem de influir. Com efeito, aqueles que com o próprio empenho e habilidade profissional, foram capazes de criar inovação e favorecer o bem-estar de muitas pessoas, podem oferecer um ulterior contributo, pondo a própria competência ao serviço de quantos ainda vivem na indigência.

Portanto, é preciso um renovado, profundo e amplo sentido de responsabilidade por parte de todos. «A vocação de um empresário — de facto — é um trabalho nobre, se se deixa interrogar por um significado mais amplo da vida» (Evangelii Gaudium, 203). Isto permite que muitos homens e mulheres sirvam com mais eficácia o bem comum e tornem os bens deste mundo mais acessíveis a todos. Todavia, o crescimento na igualdade exige algo mais do que o crescimento económico, embora o pressuponha. Antes de tudo, requer «uma visão transcendente da pessoa» (Bento XVI, Caritas in veritate, 11), porque «sem a perspectiva de uma vida eterna, o progresso humano neste mundo permanece sem respiro» (ibid.). Por outro lado, exige decisões, mecanismos e processos que visem uma distribuição mais equilibrada das riquezas, a criação de oportunidades de trabalho e uma promoção integral dos pobres que não seja mero assistencialismo.

Estou convicto de que a partir de tal abertura à transcendência poderia formar-se uma nova mentalidade política e empresarial, capaz de guiar todas as acções económicas e financeiras na óptica de uma ética verdadeiramente humana. A comunidade empresarial internacional pode contar com muitos homens e mulheres de grande honestidade e integridade pessoal, cujo trabalho é inspirado e guiado por elevados ideais de justiça, generosidade e solicitude pelo autêntico desenvolvimento da família humana. Por conseguinte, exorto-vos a haurir destes grandes recursos morais e humanos, e a enfrentar este desafio com determinação e clarividência. Sem ignorar, naturalmente, a especificidade científica e profissional de cada contexto, peço-vos que façais de modo que a riqueza esteja ao serviço da humanidade e não a governe.

Senhor Presidente, queridos amigos!

Confiando que nestas minhas breves palavras possais encontrar um sinal de solicitude pastoral e um contributo construtivo a fim de que as vossas actividades sejam cada vez mais nobres e fecundas, desejo renovar os meus votos pelo feliz êxito do encontro, enquanto invoco a bênção divina sobre Vossa Excelência, sobre os participantes no Fórum, e também sobre as vossas famílias e actividades.

Vaticano, 17 de Janeiro de 2014.

 

FRANCISCUS PP.

 




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