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VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO PAULO II À POLÓNIA
(16-23 DE JUNHO DE 1983)

 CELEBRAÇÃO MARIANA EM KATOWICE

HOMILIA DO SANTO PADRE

Aeroporto de Katowice
Segunda-feira, 20 de Junho de 1983

 

1. Louvado seja Jesus Cristo!

Caros Irmãos e Irmãs! De todo o coração vos agradeço o convite para vir a Piekary.

A minha peregrinação a Piekary Slaskie, ao Santuário da Mãe de Deus na Diocese de Katowice, tem uma sua história de muitos anos. Como Metropolita de Cracóvia, era convidado a pregar a Palavra de Deus no último domingo de Maio, quando se realiza a peregrinação anual dos homens e da juventude masculina. Este é um acontecimento especial na vida da Igreja, não só na Silésia mas em toda a Polónia. Vêm então a Piekary homens e jovens da vasta região industrial, que ultrapassa os limites da Silésia de Katowice, seja a Oeste, em direcção de Opole, seja a Este, em direcção de Cracóvia. O mesmo ocorre hoje, só que a moldura da peregrinação se ampliou. Não é já um encontro com os homens, mas é um encontro geral; dou-vos pois as boas-vindas e de coração saúdo todos vós aqui presentes, caros Irmãos e Irmãs: homens e mulheres, juventude masculina e feminina, todas as famílias.

Desde 1978 esperava este encontro em Piekary. Esperava-o com perseverança e confiança. E vós também estivestes à espera dele com perseverança e confiança. E quando se tornou possível, viu-se que no alto da colina de Piekary não poderíamos caber todos. E por isso Piekary teve de transferir-se para este aeroporto perto de Katowice, onde nos encontramos. Para poder realizar a actual peregrinação do Papa a Piekary, foi necessário, desta vez, que Piekary mesma partisse em peregrinação!

2. E assim, de facto, aconteceu. No quadro do jubileu do sexto, centenário de Jasna Góra, chego hoje ao santuário de Piekary, e a Mãe de Deus, do seu Santuário, vem benignamente ao meu encontro.

Este encontro tomou a forma de uma grande oração da Igreja de Katowice. A oração continua desde o último domingo de Maio, desde que a imagem de Nossa Senhora de Piekary se pôs a caminho para o encontro de hoje, visitando ao longo do percurso cada uma das Paróquias. E hoje, aqui, neste aeroporto, desde o amanhecer continua a oração, que acompanha a chegada da imagem de Piekary Slaskie. Antes de tudo está a oração do rosário, e juntamente com ela o canto, as leituras e as meditações, conforme o programa previsto, estabelecido e realizado com precisão toda silesiana.

Pergunto-me: depois de tantas horas de preparação em oração tendes ainda bastante força para escutar o Papa? Não estais muito afadigados e cansados?

Todavia, a recordação dos encontros antecedentes em Piekary diz-me que a gente da Silésia e, em geral, todos os homens habituados ao duro trabalho desta região industrial não se cansam facilmente de orar. Além disso, sabem orar de modo tão "atraente" na sua grande comunidade, que a oração não os cansa. Pode ocorrer que ao deixarem o seu Santuário eles se sintam cansados, mas não exaustos, porque trazem com eles os vigorosos recursos espirituais para o duro trabalho quotidiano.

3. E por isso agradeço à Igreja de Katowice este encontro de hoje. Agradeço ao Bispo Herbert, que muitas vezes me convidou para vir aqui como Metropolita e Cardeal, e quando decidiu convidar-me também como Papa, não sossegou enquanto esta decisão não foi posta em prática. Ao saudá-lo, faço extensiva esta saudação aos Bispos Jozef, Czeslaw e Janusz, que estão unidos no serviço episcopal. Saúdo o Cabido e todo o Clero: vós, caros Irmãos sacerdotes, com os quais me unem laços às vezes não menos estreitos do que os que me unem com os meus irmãos, sacerdotes da Arquidiocese de Cracóvia. Saúdo de todo o coração as Ordens religiosas masculinas e femininas, augurando que a sua vocação evangélica frutifique na messe do grande trabalho humano que encontram cada dia. Saúdo o Seminário Maior, com o qual eu estava ligado no passado: como professor e como Metropolita de Cracóvia. Que este Seminário continue a florescer com abundância de vocações diocesanas e missionárias.

A todas as operosas instituições diocesanas, entre outras a "Gosc Niedzielny" ("Visitante do Domingo"), digo, na presença da Mãe de Deus de Piekary, como se diz na Silésia: "Szczesc Boze!" (Deus vos ajude).

Permiti que dirija também uma saudação aos Cardeais Polacos aqui presentes: o Cardeal Primaz e Metropolita de Cracóvia, e os Cardeais Alemães, de Mogúncia e de Berlim, bem como a todos os Bispos presentes, polacos e estrangeiros. Vejo que está presente também o Cardeal John Krol de Filadélfia, nos Estados Unidos. Juntamente convosco saúdo todos.

4. Entro aqui na grande oração, que continua não só desde o último domingo de Maio, não só hoje desde o amanhecer, mas perdura desde há gerações, preenche o ano todo, cada semana e cada dia.

Certa vez, quando ainda não existia a Silésia de hoje, mas já havia a imagem da Mãe de Deus em Piekary, nesta oração inseriu-se o rei polaco João III Sobieski, ao dirigir-se em socorro de Viena.

Hoje eu, Bispo de Roma e ao mesmo tempo filho da Nação polaca, desejo inserir-me na oração da Silésia actual, que na imagem da Senhora de Piekary fixa o olhar como na imagem da Mãe da justiça e do amor social.

E por isso desejo também, para esta oração, tirar inspiração do multiforme trabalho que realizais cada dia, quando — precisamente no meio do trabalho — vos saudais dizendo: "Szczesc Boze!" (Deus vos ajude) — "Szczesc Boze!" (Deus vos ajude).

Assim é. Para chegar até à raiz mesma do trabalho humano — seja este o trabalho na indústria ou o da terra, a fadiga do mineiro, do metalúrgico ou de um empregado, ou os trabalhos caseiros de uma mãe, ou o cansaço do serviço sanitário junto dos doentes —, para atingir a raiz mesma de qualquer trabalho humano, é preciso referir-se a Deus: "Szczesc Boze!" (Deus vos ajude).

5. Com esta saudação "Szczesc Boze" (Deus vos ajude) dirigimo-nos ao homem que trabalha, e ao mesmo tempo reportamos o seu trabalho a Deus.

Reportamos o trabalho humano em primeiro lugar a Deus Criador. Antes de tudo, com efeito, a própria obra da criação (a saber, o tirar do nada o existir do cosmos) é apresentada no Livro do Génesis como o "trabalho" de Deus, dividido nos seis "dias da criação". Depois destes dias, Deus, terminada no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho (cf. Gén. 2, 2); com isto a Sagrada Escritura impõe também ao homem a obrigação do repouso, o obséquio de dar a Deus o dia santo.

O trabalho humano é reportado a Deus Criador. Deus, de facto, ao criar o homem à sua imagem e semelhança, deu-lhe o mandato de dominar a terra. Esta expressão bíblica é uma descrição do trabalho particularmente profunda e rica de conteúdo. Sobre a análise destas palavras bíblicas, que estão contidas já no Livro do Génesis, tive de basear em grande parte a Encíclica Laborem exercens, que há dois anos dediquei ao trabalho humano.

6. Quando no trabalho nos saudamos reciprocamente com a frase "Szczesc Boze" (Deus vos ajude), exprimimos deste modo a nossa benevolência para com o próximo que trabalha, e ao mesmo tempo reportamos o seu trabalho a Deus Criador, a Deus Redentor.

Para redimir o homem, o Filho de Deus fez-se homem no seio de Maria, a Virgem de Nazaré, por obra do Espírito Santo. Cristo resgatou-nos mediante a sua cruz e ressurreição, fazendo-se obediente até à morte. Na obra da Redenção entra também toda a vida terrena do Filho de Deus, a Sua missão messiânica unida ao anúncio do Evangelho e, antes disto, os trinta anos de vida oculta, que desde os seus inícios foi dedicada ao trabalho na oficina ao lado de José de Nazaré. Assim, pois, na palavra da revelação divina está impresso o Evangelho do trabalho, que a Igreja relê sempre de novo e de novo anuncia a todos os homens. O trabalho, de facto, é a vocação fundamental do homem sobre esta terra.

Fala disto no ano que celebra o Jubileu extraordinário da Redenção. Toda a Igreja deseja este ano de modo particularmente profundo haurir do mistério da Redenção as suas forças espirituais. O trabalhador é chamado também a unir-se, mediante o seu próprio trabalho, a Cristo Redentor do mundo, que foi também "homem de trabalho".

Todo este conteúdo tão rico está compreendido nestas duas palavras "Szczesc Boze" (Deus vos ajude), que se ouvem com tanta frequência na Polónia, e de modo especial na, Silésia. A Cristo, ao Evangelho do trabalho, ao mistério da Redenção, aproximamo-nos por Maria: exactamente mediante Aquela que, no seu Santuário em Piekary, está unida a inteiras gerações de homens do trabalho na Silésia; precisamente por meio de Maria, que aqui na Silésia invocais como Mãe da justiça e do amor social.

7. O trabalho humano, de facto, está no centro de toda a vida social. Por meio dele é que se formam a justiça e o amor social, se cada sector do trabalho é governado por uma justa ordem moral. Mas se esta ordem não existe, no lugar da justiça introduz-se a injustiça e no lugar do amor introduz-se o ódio.

Invocando Maria como Mãe da justiça e do amor social, vós, caros Irmãos e Irmãs, como trabalhadores da Silésia e da Polónia inteira, desejais exprimir quanto estimais precisamente aquela ordem moral, que deveria, governar o sector do trabalho.

O mundo inteiro seguiu, e continua a seguir com emoção, os acontecimentos verificados na Polónia a partir de Agosto de 1980. O que de modo particular fez reflectir a opinião pública, foi o facto de que nestes acontecimentos se tratava antes de tudo da ordem moral mesma relativa ao trabalho humano, e não apenas do aumento do salário. Sensibilizou-a também a circunstância de que estes acontecimentos eram isentos de violência, que ninguém sofreu a morte ou ferimentos por causa, deles. Enfim, também o facto que os acontecimentos do mundo polaco do trabalho dos anos 80 traziam em si o sinal nitidamente religioso.

Ninguém, portanto, pode admirar-se que aqui, na Silésia, nesta grande "bacia do trabalho", se venere a Mãe de Cristo como Mãe da justiça e do amor social.

8. Justiça e amor social significam precisamente plenitude da ordem moral, unida ao inteiro sistema social e em particular ao sistema do trabalho humano.

O trabalho assume o seu valor fundamental do facto que é realizado pelo homem. Nisto se baseia também a dignidade do trabalho, que deve ser respeitada sem considerar que tipo de trabalho o homem realiza. O essencial é que o executa o homem. Realizando um trabalho qualquer, ele imprime nele o sinal da pessoa: da sua imagem e semelhança com Deus mesmo. É importante ainda o facto que o homem executa o trabalho para alguém, para os outros.

O Evangelho do trabalho, lição de justiça e de amor social

O trabalho é também uma obrigação do homem: seja perante Deus seja perante os homens, tanto perante a própria família, como perante a Nação, a sociedade à qual pertence.

A esta obrigação, isto é, ao dever do trabalho, correspondem também os direitos do homem do trabalho, que devem ser formulados no vasto contexto dos direitos humanos. A justiça social consiste no respeito e na actuação dos direitos do homem em relação a todos os membros de uma determinada sociedade.

Neste quadro de fundo adquirem uma justa eloquência aqueles direitos que dizem respeito directamente ao trabalho realizado pelo homem. Não entro nos detalhes, enumero apenas os mais importantes. Em primeiro lugar, o direito ao justo salário — justo, isto é, tal que seja suficiente também para a manutenção da família. Depois, o direito à asseguração em caso de acidentes no trabalho. E ainda o direito ao repouso. (Recordo quantas vezes, em Piekary, tratámos da questão do domingo livre do trabalho).

9. A esfera dos direitos dos trabalhadores une-se também o problema dos sindicatos. Repito o que a propósito disto escrevi na encíclica Laborem exercens:

"... os modernos sindicatos cresceram a partir da luta dos trabalhadores, do mundo do trabalho e, sobretudo, dos trabalhadores da indústria, pela tutela dos seus justos direitos, em conformidade com os empresários e os proprietários dos meios de produção. Constitui sua tarefa a defesa dos interesses existenciais dos trabalhadores em todos os sectores em que entram em causa os seus direitos. A experiência histórica ensina que as organizações deste tipo são um elemento indispensável da vida social, especialmente nas modernas sociedades industrializadas. Isto, evidentemente, não significa que somente os trabalhadores da indústria possam constituir associações deste género. Os representantes de todas as profissões podem servir-se delas para garantir os seus respectivos direitos. Existem, com efeito, os sindicatos dos agricultores e dos trabalhadores intelectuais... Eles são, sim, um expoente da luta pela justiça social, pelos justos direitos dos homens do trabalho segundo as suas diversas profissões" (n. 20). Em seguida a encíclica fala também dos deveres, do modo e dos limites da actividade dos sindicatos.

Neste espírito já me pronunciei no mês de Janeiro de 1981, durante a audiência concedida no Vaticano à Delegação de Solidariedade, acompanhada pelo Delegado do Governo polaco para os contactos permanentes de trabalho com a Santa Sé.

E aqui, na Polónia, o Cardeal Stefan Wyszynski disse: "Trata-se do direito que os homens têm de se associar; este não é um direito concedido por alguém, pois é um próprio direito inato. Por isso este direito não nos é dado pelo Estado, que tem somente o dever de o proteger e vigiar por que ele não seja violado. Este direito é dado pelo Criador, que fez o homem como um ser social. Do Criador provêm o carácter social das aspirações humanas, a necessidade de nos associarmos e de nos unirmos uns com os outros" (Discurso, 6.2.81).

10. Assim, portanto, caríssimos, a questão em curso na Polónia no arco dos últimos anos possui um profundo sentido moral. Ela não pode ser resolvida de outro modo, senão mediante um verdadeiro diálogo das Autoridades com a sociedade. O Episcopado muitas vezes recomendou este diálogo.

Porque é que os trabalhadores na Polónia e, de resto, no mundo inteiro, têm direito a um tal diálogo? Porque o homem que trabalha não é apenas um instrumento de produção, mas também um sujeito, que em todo o processo da produção tem a prioridade perante o capital. O homem, mediante o seu trabalho, torna-se o verdadeiro administrador da organização do trabalho, do processo do trabalho, dos produtos do trabalho e da sua distribuição. Está disposto também às renúncias quando se sente verdadeiro coadministrador e pode influir na justa distribuição do que se conseguiu produzir em colaboração.

11. Dirigimo-nos a Maria como Mãe da justiça social, a fim de que estes princípios fundamentais da ordem social, dos quais depende o verdadeiro sentido do trabalho humano, e juntamente com ele o sentido da existência do homem, se revistam de uma forma concreta de vida social da nossa terra. O homem, de facto, não é capaz de trabalhar, quando não vê o sentido do seu trabalho, quando este sentido não é mais transparente. Quando lhe é de um certo modo ofuscado. Por Isso dirigimos a nossa ardente prece à Mãe da justiça social, a fim de que de novo dê o sentido ao trabalho, ao trabalho de todos os homens na Polónia.

Ao mesmo tempo, invocamos Maria como Mãe do amor social. Pondo em prática os princípios da Justiça social, torna-se possível o amor, do qual falou Cristo aos seus discípulos: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros" (Jo. 13, 34).

Este amor social não é outra coisa senão a "civilização do amor", constantemente recordada pelo Papa Paulo VI, para a qual deve dirigir-se todo o desenvolvimento da vida da sociedade e da vida internacional.

Entre outras coisas, ele disse:

"Uma civilização que, precisamente por ter a sua origem no amor à humanidade e por se propor levá-la a gozar a feliz experiência do amor, deverá dedicar-se à busca e à afirmação dos autênticos e plenos valores da vida, embora... venha a suscitar incompreensões, dificuldades e oposições" (Paulo VI, Audiência geral, 21.1.1976).

12. O amor é maior do que a justiça. E o amor social é maior do que a justiça social. Se é verdade que a justiça deve preparar o terreno para o amor, então a verdade ainda maior é que só o amor pode assegurar a plenitude da justiça.

Por conseguinte, é preciso que o homem seja verdadeiramente amado, se se quer que os direitos do homem sejam plenamente assegurados. Esta é a primeira e a fundamental dimensão do amor social.

A segunda dimensão é a família. A família é também a primeira e essencial escola do amor social. É preciso fazer tudo, a fim de que esta escola possa permanecer aquilo que é. Ao mesmo tempo, a família deve ser de tal modo fortificada por Deus — Isto é, pelo amor recíproco, de todos os que a formam — que saiba permanecer um baluarte para o homem no meio de todas as correntes destruidoras e das provas dolorosas.

Uma outra dimensão do amor social é a pátria: os filhos e as filhas da mesma nação permanecem no amor do bem comum, que eles haurem da cultura e da história, encontrando nestas o apoio para a sua identidade social, e ao mesmo tempo fornecendo este apoio ao próximo, aos compatriotas. Este círculo, do amor social tem um particular significado na nossa experiência histórica polaca, e no nosso mundo contemporâneo.

O amor social abre-se para todos os homens e para todos os povos. Se ele se forma de maneira profunda e sólida nos seus anelos fundamentais (o homem, a família, a pátria), então supera também a prova num âmbito mais vasto.

13. Assim, pois, caros participantes no presente encontro na Silésia, uma vez mais, do vosso Compatriota e Sucessor de Pedro, aceitai nesta nossa grande comunidade o Evangelho do trabalho, e aceitai o Evangelho da justiça e do amor social.

Que ele nos una profundamente; ao redor da Mãe de Cristo no seu Santuário em Piekary, tal como uniu aqui inteiras gerações.

Que ele irradie amplamente na vida dos homens do duro trabalho na Silésia e em toda a Polónia.

Recordamos ainda todos os trabalhadores falecidos, aqueles que sofreram acidentes mortais nas minas ou noutros lugares, aqueles que recentemente perderam a vida nos trágicos acontecimentos. Todos!

Quanto a nós, os vivos, espera-nos um grande esforço moral, ligado ao Evangelho do trabalho: o esforço que visa introduzir na vida polaca a justiça e o amor social.

Sob o sinal de Maria — com a Sua ajuda!

Para este esforço e para esta fadiga: Szczesc Boze (Deus vos ajude)!

 



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