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VIAGEM PASTORAL DO PAPA JOÃO PAULO II AO ALASCA, COREIA,
 PAPUA-NOVA GUINÉ, ILHAS SALOMÃO E TAILÂNDIA
(2-11 DE MAIO DE 1984)

LITURGIA DA PALAVRA NO ENCONTRO COM OS DOENTES

HOMILIA DO SANTO PADRE

Port Moresby (Papua-Nova Guiné), Paróquia de São José
Terça-feira, 8 de maio de 1984

 

Caros Irmãos e Irmãs

1. A paz de nosso Senhor Jesus Cristo encha os vossos corações!

É-me grata esta oportunidade de estar convosco que suportais o fardo da enfermidade e do sofrimento, e para vos encorajar a unir os vossos sofrimentos aos sofrimentos de Cristo.

Quando Jesus encarregou os seus Apóstolos de "anunciar a Boa Nova a toda a criatura" (Mc. 16, 15), prometeu-lhes que alguns sinais acompanhariam a sua missão. "Em Meu nome, disse Ele, "expulsarão os demónios, falarão línguas novas... imporão as mãos sobre os enfermos e eles recuperarão a saúde" (Mc. 16, 17.18). Estas palavras do nosso Salvador demonstram-nos come o cuidado pelo enfermo está intimamente ligado ao anúncio da Boa Nova e constitui uma parte importante da missão da Igreja no mundo.

Não deve surpreender, portanto, que os missionários que vieram para Papua-Nova Guiné não só trouxessem a Boa Nova da salvação mas também cuidassem dos enfermos. Sem dúvida a sua amorosa campaixão por aqueles que sofriam causou profunda impressão nos vossos antepassados. Vendo este exemplo de caridade e de fé, acolheram com gosto os missionários e abriram as portas do próprio coração à Boa Nova de nosso Senhor Jesus Cristo.

2. Com idênticos sentimentos venho eu hoje até vós. Venho para vos falar do meu amor por vós em Cristo, e para vos assegurar da solicitude pastoral da Igreja inteira. A Igreja, como Jesus seu Redentor, deseja sempre estar perto daqueles que sofrem. Eleva-os ao Senhor na oração. Oferece-lhes conforto e esperança. Ajuda-os a encontrar significado no perigo e na dor ensinando-lhes que o sofrimento não é um castigo de Deus, nem algo causado por feitiço ou por espíritos malignos. Antes, a Igreja propõe Cristo que, mediante a sua Cruz e Ressurreição, remiu todo o sofrimento humano e, por conseguinte, deu significado a este mistério da existência humana.

A Igreja oferece graça e força através do Sacramento da Unção dos Enfermos. Seguindo o ritual descrito por São Tiago, o sacerdote que administra este Sacramento ora sobre pessoa enferma "ungindo-a com o óleo no nome do Senhor" (Tgo. 5, 14). Deste modo, o Senhor no seu amor e na sua misericórdia ajuda o enfermo com a graça do Espírito Santo; liberta-o do pecado, salva-o e eleva-o. Este sacramento da Igreja é uma experiência confortante, elevadora e santificante para o enfermo; é um encontro pessoal com Cristo, o Redentor e médico da humanidade.

3. Caros irmãos e irmãs, quero dizer-vos quanto sois importantes na Igreja, porque desempenhais um papel insubstituível na sua missão de salvação. Quando suportais os vossos sofrimentos em união com o nosso Senhor e Salvador, como diz São Paulo, "completais o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo, que é a Igreja" (Col. 1, 24). Unindo os vossos sofrimentos ao Sacrifício de Cristo, ajudais os outros a compartilhar da Redenção de Cristo. Cooperais com Cristo ao trazer a sua salvação a Papua-Nova Guiné e ao mundo.

Ao procurardes viver o mistério do sofrimento em união com Cristo, sede homens e mulheres de oração. São Tiago diz: "Orai uns pelos outros para serdes curados. A oração fervorosa do justo tem multo poder" (Tgo. 5, 16). Procurai de modo especial encorajar e amparar os vossos irmãos e irmãs que sofrem. Deixai que o vosso próprio sofrimento, confirmado no amor por Cristo, fomente em vós um coração piedoso e misericordioso. Oxalá o nosso Pai celeste "proveja com profusão a todas as vossas necessidades, conforme as Suas riquezas em Jesus Cristo" (Fil. 4, 19). E o amor de Jesus esteja sempre no vosso coração.

 



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