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VIAGEM APOSTÓLICA DO SANTO PADRE AO BRASIL
(30 DE JUNHO - 12 DE JULHO DE 1980)

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 NA CERIMÔNIA DE DESPEDIDA DO BRASIL

Manaus, 11 de Julho de 1980

 

Queridos Amigos Brasileiros,
Meus irmãos e irmãs no Senhor Jesus Cristo

1. Chegou, com muita pena para mim, o momento de dizer adeus.

Antes de deixar o solo brasileiro, quero exprimir a minha gratidão profunda a todos: a Sua Excelência o Senhor Presidente da República, ao Episcopado do Brasil, aos membros do Governo, ao Senhor Ministro aqui presente e às demais Autoridades e Responsáveis pelos destinos desta grande Nação.

Impossível citar, mesmo genericamente, todas as pessoas e grupos com quem tive contacto nestes dias abençoados e, por outro lado, não quisera esquecer ninguém. Chegue o meu agradecimento sentido a todo o Povo deste País e a cada um dos brasileiros: aos fiéis católicos e aos não católicos; a todos os homens e mulheres, nascidos ou radicados nesta terra, seja qual for a sua origem étnica, dos primitivos habitantes da “Terra de Santa Cruz”, os índios do Brasil, aos últimos estabelecidos nesta pátria hospitaleira; enfim, a todos aqueles a quem tive o prazer de ver e cumprimentar pessoalmente, bem como àqueles que nestes dias me acompanharam, graças à maravilha dos meios audiovisivos. A todos, muito obrigado! Desejaria que este muito obrigado chegasse particularmente a todos aqueles que participaram de maneira ativa na preparação e no desenrolar desta minha visita pastoral. E houve bem conta de quanto essa tarefa foi grande e de quanto este trabalho foi exigente. Não tenho outro modo para exprimir toda a minha gratidão senão mediante a lembrança nas minhas orações, pedindo que o próprio Deus recompense a todos e a cada um. A todos sem exceção. Quer aos representantes da Autoridade e da Administração quer às instituições da Igreja quer ainda a toda a comunidade da Nação brasileira.

2. Minha estadia no Brasil permitiu-me enriquecer meu conhecimento da língua portuguesa com algumas palavras e expressões. Aprendi, por exemplo, que “quem parte leva saudades”. Devo confessar que já estou sentindo o que significa este ditado. Mas, com a saudade do Brasil, levo também no coração uma imensa alegria e a mais grata satisfação, por tudo aquilo que me foi dado ver, comungar e viver convosco, nestes dias da minha permanência entre vós.

Permanência longa e breve; breve mas suficiente para uma intensa e marcante experiência humana e religiosa, que ficará como cimento de uma profunda amizade.

Deus seja louvado por tudo e por todos! E já que “toda a dádiva e todo o dom perfeito vem do alto”(Tg 1, 17), quero adorar e “dar graças a Deus, a quem sirvo” (Cf. 2Tm 1, 3) pelas muitas alegrias e consolações que sua infinita bondade me quis proporcionar, ao longo desta viagem pastoral.

3. Levo nos olhos e no coração tantas imagens de vida e beleza, que me impressionaram neste dinâmico e promissor País, e as últimas e mais impressionantes serão as imagens portentosas destes rios e florestas do Amazonas. Contudo, mais ainda do que as imagens das inúmeras maravilhas, quer naturais quer criadas pelo homem, é a imagem deste homem brasileiro que levo comigo. Do homem concreto e histórico que é neste momento protagonista de uma hora importante para o País.

Quando no dia 22 de outubro de 1978 dei início solene ao meu ministério na Sé de São Pedro, dirigia-me a todos com uma calorosa exortação: abri as portas a Cristo; abri amplamente os corações a Cristo.

Escancarei as portas a Cristo, quando hoje, depois dos doze dias de meu peregrinar por terras brasileiras, chegou a hora de despedir-me de vós. O meu coração está cheio de gratidão exatamente porque vós abristes as portas Àquele que, como sucessor de São Pedro, veio de Roma para realizar no meio de vós o seu ministério ao serviço do Evangelho. Que Deus vos recompense a vós que haveis acolhido este meu ministério. O Evangelho é a palavra da verdade. É certo que esta palavra nos coloca diante de exigências. Recordai-vos que tais exigências são sempre ditadas pelo amor para com o homem e ditadas por motivo do bem do mesmo homem.

Todo o serviço, o ministério da Igreja tem sempre em vista contribuir para que a vida humana também aqui sobre a terra, se torne sempre mais digna do homem e é por isso que a palavra do Evangelho tem sempre como finalidade o bem de todas as sociedades e de todas as nações. Oh quanto eu desejaria que o meu serviço apostólico em terras brasileiras contribuísse para o bem de toda a vossa grande sociedade nacional, que a reforçasse e a tornasse sempre mais pátria comum de todos aqueles homens que habitam aqui por gerações sucessivas desde os inícios, e de todos aqueles outros que no correr dos tempos aqui encontraram as condições de vida, de existência.

Praza a Deus que nesta Pátria se constitua a grande comunidade na qual reine a fraternidade, o amor, a justiça e a paz. Esta foi também a finalidade do meu ministério exercido no meio de vós.

4. E agora posso confiar-vos um desejo? Que as vossas portas que se abriram para mim com amor e confiança, permaneçam largamente abertas para Cristo. Será minha alegria plena. Na força redentora da Cruz, na energia vivificadora da Eucaristia, e na indefectível proteção de Maria, Mãe da Igreja, a iniciativa da viagem que ora está prestes a terminar. Na Cruz, na Eucaristia e em Nossa Senhora se baseia a minha esperança de que a semente da Salvação que aqui procurei ançar, germine, cresça e dê frutos de amor, de fraternidade e de vida cristã.

Tenho plena confiança de que, pela evangelização autêntica e total, a Boa Nova do amor do Pai, manifestado no seu Filho Jesus, chamando os homens à vida eterna, pela contínua ação do Espírito Santo há de penetrar no coração das massas, pois a Salvação também é “fermento”, destinada a “levedar toda a massa” do querido Povo brasileiro.

Deixando o Brasil, após estas intensas jornadas de fé e de calor humano, e também de calor climático, vós brasileiros continuareis bem presentes na minha oração. Pedirei sempre a Deus que os grandes princípios cristãos, desde sempre arraigados em vós, e sobretudo o senso de Deus e a solidariedade humana, continuem a marcar a fidelidade do Brasil a si mesmo e à sua identidade histórica.

Muito obrigado a todos! Meus melhores votos de prosperidade! Deus lhes pague e abençoe o Brasil, sob a contínua proteção de Nossa Senhora Aparecida!

Eu disse que era a hora de dizer adeus. Mas não: digo-vos apenas Até logo! Até logo! Até logo!

Se Deus quiser.

 



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