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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO NOVO EMBAIXADOR DA GUATEMALA
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

17 de Dezembro de 1983

 

Senhor Embaixador

As palavras que Vossa Excelência me dirigiu ao apresentar as Cartas Credenciais que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Guatemala junto da Santa Sé, foram-me particularmente gratas, porque me fazem recordar o caloroso afecto de todos os amadissímos filhos dessa nobre Nação, encontrados na inesquecível visita pastoral à América Central.

Ao agradecer-lhe, Senhor Embaixador, a expressão desses sentimentos, bem como a deferente saudação que me transmitiu da parte do Presidente da República da Guatemala, apresento-lhe as minhas cordiais boas-vindas, ao mesmo tempo que lhe asseguro a minha benevolência no desempenho da alta missão que lhe foi confiada, ao suceder ao saudoso Embaixador Don Luis Valladares y Aycinena.

Vossa Excelência referiu-se aos esforços realizados pelo Governo do seu País para retornar às instituições democráticas, que sejam reflexo de uma paz duradoura, indispensável para o bom desenvolvimento da sociedade guatemalteca. Esta Sé Apostólica acompanha sempre muito de perto os anseios de toda a família humana, movida pela sua solicitude pelo bem e a promoção de cada pessoa.

Por isso também na minha visita pastoral à Guatemala quis estar junto de cada grupo social e étnico, e transmitir-lhe a mensagem de salvação que é, ao mesmo tempo, sinal de esperança e de leal convivência já nesta vida. Esse é igualmente o trabalho do Episcopado guatemalteco, inspirado na doutrina social católica, sobretudo no Concílio Vaticano II e nos documentos pontifícios.

A este propósito é significativa a preocupação dos Padres conciliares, manifestada na Constituição Gaudium et spes, que, ao reflectirem sobre a comunidade política, advertem as profundas transformações que se verificam nas estruturas e nas instituições dos povos. Destas mesmas transformações derivam direitos e deveres de todos no exercício da liberdade política e na consecução do bem comum.

Por isso tão precisas são as palavras do mesmo Concílio: "Com o desenvolvimento cultural, económico e social, fortifica-se em muitos cidadãos o desejo de participar mais na organização da vida da comunidade política. Cresce na consciência de muitos a vontade de que se respeitem os direitos das minorias no interior de uma nação, sem negligência dos seus deveres para com a comunidade política. Além disso aumenta continuamente o respeito para com os homens que professam outra opinião ou religião. Ao mesmo tempo organiza-se uma colaboração mais ampla para que todos os cidadãos, e não só alguns privilegiados, possam realmente gozar dos direitos próprios da pessoa" (Gaudium et spes, n. 73).

Para que este anelo do Concílio possa ser uma feliz realidade em cada comunidade política, é necessário fomentar o sentido interior da justiça, da benevolência e do serviço ao bem comum. E para que a legítima pluralidade de pareceres ante as possíveis opções políticas tenha os seus canais de expressão e realização, "requer-se a autoridade que dirija as energias de todos para o bem comum... agindo antes de tudo como autoridade moral, que se apoia na liberdade e na consciência do cargo e da responsabilidade assumida" (ibid., n. 74).

Para evitar qualquer extremismo e consolidar uma paz autêntica, nada melhor do que devolver a própria dignidade aos que sofrem a injustiça, a marginalização ou a miséria. Por isso a Igreja na Guatemala deseja poder continuar a defender e a promover os homens e as culturas de cada grupo étnico, porque a obra evangelizadora se encarna nos seus valores, os consolida e fortalece.

E para que essa missão evangelizadora continue no seu desejado desenvolvimento, a Santa Sé espera vivamente que possa chegar-se logo à normalização no governo das circunscrições eclesiais agora desprovidas dos seus Pastores, cuja obra e intentos não serão outros que os de trabalhar pelo Reino de Deus, favorecendo com isto o bem do homem e da mesma sociedade guatemalteca.

Senhor Embaixador, pedindo ao Dador de todo o bem que faça frutificar todos esses projectos a fim de serem fonte de incessante concórdia e bem-estar social, invoco também o favor do Altíssimo sobre o querido povo guatemalteco, sobre os seus governantes e sobre Vossa Excelência e família, desejando-lhe êxito no cumprimento da sua alta e nobre missão.

 



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