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VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO PAULO II AO BRASIL
[12-21 DE OUTUBRO DE 1991]

DISCURSO DO SANTO PADRE
 AOS
REPRESENTANTES DA COMUNIDADE JUDAICA
 NA SEDE DA NUNCIATURA APOSTÓLICA

Brasília, 15 de Outubro de 1991

 

Constitui para mim um momento de particular satisfação, poder saudar o Rabino Henry Sobel e os senhores representantes da comunidade israelita do Brasil. Agradeço-vos, de coração, a grande amabilidade de promover este encontro, e, ao mesmo tempo sinto-me profundamente sensibilizado pela gentileza que tivestes oferecendo-me este belo presente. Quero interpretar, neste gesto, a expressão, mesmo simbólica, dos laços de união existentes entre a Igreja Católica no Brasil e vossa comunidade judaica.

Mas, para além deste gesto, quis a Providência divina que este momento histórico, que este encontro viesse a reforçar o espírito de fraternidade e de reciproca estima, apoiado não simplesmente no respeito mútuo, mas na fé no único e verdadeiro Deus.

Hoje, vinte e cinco anos após o Concílio Vaticano II, a Declaração Nostrae Aetate continua assinalando uma mudança essencial na relação dos cristãos com os judeus. Minha esperança é, portanto, que se reforce sempre mais o diálogo católico-judaico através da Palavra de Deus. Ela, recebida no coração com verdadeira disponibilidade para torná-la efetiva em nossa vida, abre-nos os olhos para reconhecer em todos os nossos irmãos a face do único Deus Criador. Lendo juntos, com uma comum veneração, grande parte das Escrituras Sagradas, deveríamos estar unidos para acolhê-la, meditá-la e colocá-la em prática, a serviço de todos os homens, especialmente dos mais necessitados.

2. O diálogo inter-religioso convida todas as Igrejas locais, e, entre elas, também a Igreja no Brasil, a empreender sempre novos esforços para a superação de certos preconceitos que ainda existem em tantos lugares. Assim, se hão de mostrar, perante o mundo de hoje, no qual a fé está exposta a tão duras provas, a beleza e as verdades profundas da crença em um só Deus e Senhor, que como tal deve ser conhecido e amado através de todos os que n’Ele crêem. Adorando o único e verdadeiro Deus, descobrimos, de fato, nossa raiz comum espiritual que é a consciência da fraternidade entre todos os homens. Esta consciência, na verdade, é o maior laço de união entre os cristãos e o povo judeu. Essa raiz comum faz-nos também amar esse povo porque, como diz a Bíblia, “o Senhor amou Israel para sempre” (1Rs 10, 9), fez com ele uma Aliança que jamais foi revogada, nele depositou as esperanças messiânicas de toda a humanidade.

3. Fico feliz ao saber que nosso relacionamento e a cooperação, através da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico-Judaico, cresceram tanto nestes anos no Brasil. Atualmente, a Comissão possui membros católicos e judeus nas principais capitais de Estado da Federação, com possibilidade de, futuramente, ampliar sua representação em outras cidades. Faço votos de que o diálogo e o respeito mútuo continuem sendo o caminho para construir uma estima recíproca e o respeito pelo patrimônio espiritual que une judeus e cristãos. Abençoo, de coração, todos os esforços e iniciativas que visem este objetivo.

Faço votos e elevo minhas preces ao Senhor Altíssimo pela paz em todo o mundo, e, em especial, naquela terra santa onde, a cada momento, esta palavra é repetida como saudação de amigos. Que nossos irmãos judeus, que foram “reconduzidos de outros povos e reunidos de outros lugares e levados à sua terra” (Ez 34, 13), à terra de seus pais, possam ali viver em paz e segurança, sobre “os montes de Israel”, guardados pela proteção de Deus, seu verdadeiro Pastor.

Shalom!  

 



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