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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DA 52ª ASSEMBLEIA DA FEDERAÇÃO
 DOS INSTITUTOS DE ACTIVIDADES EDUCATIVAS (FIDAE)

24 de Novembro de 1998

 

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. É-me grato dirigir uma cordial saudação a todos vós que, por ocasião da quinquagésima segunda Assembleia nacional da Federação dos Institutos de Actividades Educativas (FIDAE), estais reunidos em Roma em representação das escolas católicas primárias e secundárias, presentes em todo o território italiano.

O vosso encontro constitui mais uma etapa no caminho que, desde há anos, estais a empreender ao serviço dos valores humanos e cristãos e da autêntica liberdade de educação na escola e na sociedade italiana. Vós tendes em vista confirmar, no contexto do sistema público integrado da instrução, a identidade originária da escola católica e a sua plena inserção na missão evangelizadora da Igreja.

Em vós saúdo a obra atenta e qualificada de milhares de professores, religiosos e leigos, que colaboram com as famílias na formação integral das novas gerações. Agradeço-vos o quotidiano empenho e a paixão com que vos pondes ao serviço dos meninos e dos jovens, não obstante as dificuldades e os problemas ligados ao hodierno contexto sócio-cultural e às vastas transformações verificadas na realidade escolar. O meu afectuoso pensamento dirige-se, em particular, aos alunos dos vossos Institutos, aos quais desejo que possam viver intensamente este período fundamental da vida, para serem protagonistas competentes e corajosos da sociedade de amanhã.

2. Não raro a educação sofre hoje a influência de «formas de racionalidade », não orientadas «para a contempla ção da verdade e a busca do fim último e do sentido da vida» (Fides et ratio, 47), com o risco que daí resulta de causar trágicas consequências em quantos desabrocham para a vida. A escola católica tem diante de si um grande desafio, ao qual ela deverá responder com um projecto educativo fortemente caracterizado em sentido cristão, procurando depois pô-lo em prática em plena colaboração com a família, objecto primário de qualquer projecto educativo. Tendo como base sobretudo a competência e o testemunho, a escola católica propõe oferecer aos jovens uma formação de qualidade, que se apoia na aquisição dos conhecimentos necessários e no apreço de quanto o homem realizou ao longo da história, mas sobretudo na amadurecida e convicta adesão aos grandes valores da tradição italiana e da fé cristã.

3. Toda a escola é chamada a ser laboratório de cultura, experiência de comunhão e treinamento de diálogo. Essas finalidades encontram um terreno particularmente favorável nos Institutos católicos: ao basearem a sua acção pedagógica no espírito de caridade e de liberdade, próprio de toda a comunidade inspirada no Evangelho, eles colocam-se na hodierna sociedade multiética como um lugar significativo de promoção humana e de diálogo, entre as diferentes religiões e culturas.

As novas fronteiras da escola e a sua abertura ao diálogo cultural requerem, contudo, de quem trabalha no âmbito das estruturas escolares católicas, um constante cuidado da própria e específica identidade pedagógica e ideal, que permanece a principal garantia de um original serviço a crentes e não-crentes.

Numa sociedade, que parece às vezes pouco sensível aos valores espirituais e, com frequência, se ilude de construir o bem-estar e a felicidade do homem só mediante a ciência e a tecnologia, a escola católica é chamada a formar a mente e o coração das novas gerações, inspirando-se no modelo de humanidade proposto por Cristo. Os alunos serão ajudados, pelo testemunho coerente dos professores e dos pais, a empreenderem a grande aventura da vida em companhia de Jesus Redentor, verdadeiro Amigo, com o Qual se pode contar.

 4. Ao promover o respeito pelas consciências, a paixão pela verdade, o amor pela liberdade no contexto de um serviço competente, a escola católica oferece uma preciosa oportunidade aos pais, que podem escolher o modelo de educação mais adequado para os seus filhos. Isto constitui segura garantia da validade daquele sistema público integrado da instrução, que é condição indispensável para que a Instituição escolar seja instrumento moderno e eficaz de formação e factor de progresso para a inteira sociedade.

Formulo votos por que a vossa Assembleia, ao aprofundar essas temáticas, contribua para uma renovada qualidade do serviço escolar e para um maior apreço do valor da escola livre, para o crescimento cultural e o desenvolvimento democrático da sociedade italiana. Com esses bons votos, confio a vossa missão educativa e os trabalhos do vosso encontro à materna protecção de Maria, Sede da Sabedoria, e, enquanto invoco sobre os alunos, as famílias, os educadores e os responsáveis da escola católica a luz e a força do Espírito da verdade, de coração concedo a todos uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 24 de Novembro de 1998.

 

 

 



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