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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DO ENCONTRO
"IGREJAS IRMÃS, POVOS IRMÃOS"
 REALIZADO EM GÉNOVA

 

Ao venerado Irmão
Cardeal EDWARD I. CASSIDY
Presidente do Pontifício Conselho
para a Promoção da Unidade dos Cristãos

Sinto-me particularmente feliz por transmitir a minha saudação aos ilustres representantes das Igrejas e Confissões cristãs que participam no encontro "Igrejas irmãs, Povos irmãos". Essa assembleia coloca-se idealmente na esteira daquela de Assis, que continua a produzir preciosos frutos de paz e de diálogo, tanto entre os cristãos como entre os membros das outras grandes religiões mundiais. Agradeço à Comunidade de Santo Egídio que, com coragem e audácia, sustém esta singular peregrinação que continua a percorrer diversas cidades do mundo para que os homens e as mulheres se descubram irmãos e irmãs, membros da mesma família humana.

Na Assembleia inter-religiosa que se realizou no mês de Outubro passado no Vaticano, ao dirigir-me aos cristãos, dizia:  "Aqueles de entre nós que são cristãos acreditam que tal esperança é um dom do Espírito Santo, que nos chama a alargar os nossos horizontes, a olhar para além das nossas necessidades pessoais e das carências das nossas comunidades particulares, tendo em vista a unidade de toda a família humana... Desta consciência espiritual brotam a compaixão e a generosidade, a humildade e a modéstia, a coragem e a perseverança. Estas são as qualidades de que a humanidade tem necessidade mais do que nunca, enquanto entra no novo milénio" (L'Osservatore Romano, ed. port. de 20/11/99, pág. 10). Por isso, estou particularmente feliz por que em Génova se realiza esta assembleia de cristãos, para reflectirem e fortalecerem o empenho em continuar no caminho da unidade.

Quereria saudar, antes de tudo, os Patriarcas e os representantes das diversas Igrejas do Oriente ali reunidos. A sua presença, juntamente com a dos representantes da Igreja católica, serve de conforto e de estímulo para todos. Uno-me de bom grado à oração e aos sentimentos fraternos que pulsam no coração de cada um e, ao mesmo tempo, dão graças a Deus pelos frutos que o diálogo ecuménico produziu nestes últimos anos. Na Encíclica Ut unum sint, ao referir-me de modo particular ao século que está a terminar, eu observava que "foi a primeira vez na história, que a acção em prol da unidade dos cristãos assumiu proporções tão amplas e se estendeu num âmbito tão vasto" (n. 41). Aconteceu que "os cristãos pertencentes a uma confissão já não consideram os outros cristãos como inimigos ou estranhos, mas vêem neles irmãos e irmãs" (Ibid., n. 42).

A fraternidade reencontrada entre os cristãos, de facto, é um dos frutos mais preciosos do diálogo ecuménico. Como canta o Salmista, ela certamente faz-nos saborear a alegria dos irmãos que se encontram juntos (cf. Sl 132 [133] 1), mas torna-nos também mais conscientes da gravidade do pecado da divisão, escândalo para nós e para o mundo. Por isso, não podemos retardar o passo rumo à unidade das Igrejas. Com efeito, todo o atraso arrisca não só de diminuir a alegria fraterna, mas de nos tornar cúmplices das divisões que se estimulam em várias partes da terra. Quanto mais se fortalecer a fraternidade entre as Igrejas, tanto mais os povos serão ajudados a reconhecer-se como irmãos. A fraternidade, de facto, é uma energia que supera qualquer limite e produz os seus frutos para todo o género humano.

Neste espírito, que quis indicar como o "espírito de Assis", desejo saudá-lo, Senhor Cardeal, pedindo-lhe que faça chegar a expressão da minha afectuosa recordação à amada Arquidiocese genovesa e ao seu Arcebispo, Cardeal Dionigi Tettamanzi, assim como à Comunidade de Santo Egídio, que com ela organizou esse encontro. Além disso, dirijo uma cordial saudação a todos os participantes, assegurando-lhes a minha lembrança na oração, para que no amor fraterno possamos cruzar o limiar do novo século como servidores de Cristo e do seu Evangelho. Acompanho estes votos com a Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de Novembro de 1999.

PAPA JOÃO PAULO II

 



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