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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

 

Para vencer os pecados da idolatria e da hipocrisia

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 42 de 17 de Outubro de 2013

Hipocrisia e idolatria «são pecados graves» que têm origens históricas, mas que ainda hoje se repetem com frequência, inclusive entre os cristãos. Superá-los é «muito difícil»: para o fazer «temos necessidade da graça de Deus». Foi a reflexão do Papa Francisco depois das leituras da missa celebrada na manhã de terça-feira, 15 de Outubro.

Os idólatras «não têm motivo algum de desculpa. Mesmo tendo conhecido Deus — realçou o bispo de Roma — não o glorificaram, nem lhe agradeceram como se fosse Deus». Mas qual é a estrada dos idólatras? São Paulo fala disto muito claramente aos romanos. É um caminho que desorienta: «perderam-se nos seus vãos raciocínios e a sua mente obtusa escureceu-se». A isto leva «o egoísmo do próprio pensamento, o pensamento omnipotente» que diz «o que eu penso é verdadeiro, eu penso a verdade, pratico a verdade com o meu pensamento». E precisamente enquanto se declaravam sábios, os homens dos quais são Paulo fala «tornaram-se insensatos. Trocaram a glória do Deus incorruptível por uma imagem e uma figura de homem corruptível, de pássaros, de quadrúpedes, de répteis».

Poderíamos ser levados a pensar, advertiu o Papa, que se trata de atitudes do passado: «hoje nenhum de nós vai pelas ruas a adorar estátuas». Mas não é assim porque «também hoje — disse o Pontífice — há ídolos e muitos idólatras. Tantos que se consideram sábios, inclusive entre nós, entre os cristãos».

Outro pecado «contra o primeiro mandamento proposto pela liturgia de hoje é a hipocrisia», continuou o Santo Padre. A inspiração para esta ulterior reflexão foi-lhe oferecida pela narração de Lucas na qual se fala de «um homem que convida Jesus para almoçar e escandaliza-se porque ele não lava as mãos» e pensa que Jesus seja um «injusto» pois «não cumpre o que deve ser feito». Mas assim «como Paulo não poupa palavras contra os idólatras — frisou o Santo Padre — também Jesus não poupa palavras contra os hipócritas: vós, fariseus, limpais a parte externa dos copos e dos pratos, mas dentro estais cheios de avidez e maldade. É muito claro! Sois ávidos e malvados, insensatos». Usa «a mesma palavra que Paulo diz dos idólatras: tornaram-se insensatos, insensatos. E que conselho dá Jesus? Dai como esmola o que está dentro do prato e eis que para vós tudo será mais puro».

Portanto, Jesus aconselha a «não olhar para as aparências» mas a ir ao âmago da verdade: «o prato é o prato, mas é mais importante o que está dentro do prato: a refeição. Mas se és um vaidoso, se és um carreirista, um ambicioso, uma pessoa que se vangloria sempre de si mesma ou que gosta de se vangloriar, porque se acha perfeita, dá um pouco de esmola e esta curará a sua hipocrisia».

«Eis — concluiu o Papa — o caminho do Senhor: adorar a Deus, amar a Deus sobre todas as coisas, e amar ao próximo. É tão simples, mas muito difícil. Só podemos fazer isto com a graça. Peçamos a graça».

Na missa celebrada na manhã de segunda-feira, 14 de Outubro o Papa Francisco — comentando as leituras da liturgia, tiradas da carta de são Paulo aos Romanos (1, 1-7) e do Evangelho de Lucas (11, 29-32) — propôs uma reflexão sobre a síndrome de Jonas: uma grave doença que hoje ameaça os cristãos, que os faz sentir perfeitos e limpos como acabados de sair da lavandaria. O Pontífice iniciou exactamente daquela «palavra forte» com a qual Jesus apostrofou um grupo de pessoas chamando-as «geração malvada». É «uma palavra — frisou — que quase parece um insulto: esta é uma geração malvada. É muito forte! Jesus tão bom, humilde, manso, mas pronuncia esta palavra». Todavia, explicou o Pontífice, certamente ele não se referia às pessoas que o seguiam; mas aos doutores da lei, a quantos tentavam pô-lo à prova, fazê-lo cair na armadilha. Eram pessoas que pediam sinais e provas. E Jesus responde que o único sinal que lhes será dado é o «sinal de Jonas».

Mas qual é o sinal de Jonas? «Na semana passada — recordou o Papa — a liturgia fez-nos reflectir sobre Jonas. E agora Jesus promete o sinal de Jonas». Antes de explicar este sinal, o Papa Francisco exortou a reflectir sobre outro pormenor que se deduz da narração evangélica: a «síndrome de Jonas», que o profeta tinha no seu coração. Ele, explicou o Santo Padre, «não queria ir a Nínive e fugiu para a Espanha». Pensava que tinha as ideias claras: «a doutrina é esta, deve-se crer nisto. Se eles são pecadores, que se arranjem; eu não tenho nada com isso! Esta é a síndrome de Jonas». E «Jesus condena-a. Por exemplo, no capítulo vinte e três de são Mateus os que acreditam nesta síndrome são chamados hipócritas. Não querem a salvação daquelas pobres pessoas. Deus diz a Jonas: pobrezinhos, não distinguem a direita da esquerda, são ignorantes e pecadores. Mas Jonas continua a insistir: eles querem justiça! Eu observo todos os mandamentos; que façam o mesmo».

Eis a síndrome de Jonas que «atinge os que não têm zelo pela conversão das pessoas, procuram uma santidade — desculpem que diga — uma santidade de lavandaria, isto é, bem engomada, bem feita, mas sem o zelo que nos leva a anunciar o Senhor». O Papa recordou que o Senhor «diante desta geração, doente da síndrome de Jonas, promete o sinal de Jonas».

 

 



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