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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

  Todos nós temos um anjo

Quinta-feira 2 de Outubro de 2014

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 41 de 9 de Outubro de 2014

 

Todos nós temos um anjo sempre ao nosso lado, que nunca nos deixa sozinhos e que nos ajuda a não errar o caminho. E se soubermos ser como crianças, conseguiremos evitar a tentação da auto-suficiência, que leva à soberba e ao carreirismo exasperado. Foi precisamente o papel decisivo dos anjos da guarda na vida dos cristãos que o Papa evocou durante a missa.

São duas as imagens — o anjo e a criança — que «a Igreja nos faz ver na liturgia de hoje». O livro do Êxodo (23.20-23a), em especial, propõe-nos «a imagem do anjo» que «o Senhor oferece ao seu povo para o ajudar no seu caminho». Portanto, «a vida é um caminho, a nossa vida é uma senda que termina naquele lugar que o Senhor nos preparou».

Contudo, «ninguém caminha sozinho!». E «se alguém de nós julgar que pode caminhar sozinho, cometeria um erro enorme», que «é a soberba: pensar que é grande!» e acaba por ter a atitude de «suficiência» que o leva a dizer a si mesmo: «Eu posso, consigo» sozinho.

Mas o Senhor dá uma indicação clara ao seu povo: «Vai, farás o que eu te disser. Caminharás na tua vida, mas dar-te-ei uma ajuda que te recordará constantemente o que deves fazer». Assim, «diz ao seu povo como deve ser a atitude diante do seu anjo». Eis a primeira recomendação: «Respeita a sua presença». E depois: «Ouve a sua voz e não te revoltes contra ele». Por isso, além de «respeitar», é preciso saber também «ouvir» e «não se revoltar». No fundo, explicou o Papa, «é a atitude dócil, mas não específica, da obediência devida ao pai, própria do filho». Trata-se da «obediência da sabedoria, de ouvir os conselhos e escolher o melhor, segundo os conselhos». E é preciso «manter o coração aberto para pedir e ouvir conselhos».

O trecho do Evangelho de Mateus (18,1-5.10) propõe a segunda imagem, da criança. «Os discípulos perguntavam-se quem era o maior deles. Havia uma disputa interna: o carreirismo. Eles, que eram os primeiros bispos, sentiam a tentação do carreirismo». Mas «Jesus ensina-lhes a atitude autêntica»: chama uma criança, põe-na no meio deles e indica-lhes expressamente «a docilidade, a necessidade de conselho e de ajuda, pois a criança é o sinal de tais carências para ir em frente».

«O caminho é este», garantiu o Pontífice, e não aquele de estabelecer «quem é maior». Na realidade, «será maior» aquele que se tornar como uma criança. Aqui o Senhor «faz uma ligação misteriosa que não se pode explicar, mas é verdadeira», e diz: «Guardai-vos de menosprezar um só destes pequeninos, porque vos digo que os seus anjos contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus».

Em síntese, «é como se dissesse: se tiverdes uma atitude de docilidade, de ouvir os seus conselhos com o coração aberto, de não desejar ser maiores, de não querer caminhar sozinhos pela senda da vida, estareis mais próximos da atitude de uma criança, mais próximos da contemplação do Pai».

«Segundo a tradição da Igreja, todos nós temos um anjo, que nos preserva e nos dá conselhos». De resto, disse o Papa, «quantas vezes ouvimos: “Deverias agir assim... isto não está bem... presta atenção!”». É «a voz deste nosso companheiro de viagem». E podemos estar «certos de que, com os seus conselhos, ele nos guiará até ao fim da nossa vida». Por isso, é preciso «ouvir a sua voz, sem se revoltar». Aliás, «a rebelião, o desejo de ser independente, é algo que todos nós temos: é a mesma soberba que também o nosso pai Adão teve no paraíso terrestre». «Expulsar o companheiro de caminho é perigoso». Com efeito, «há o Espírito Santo, o anjo, que me aconselha». Depois, convidou a não considerar «a doutrina dos anjos um pouco fantasiosa», pois trata-se de uma «realidade».

Em conclusão, o Papa propôs uma série de perguntas a fim de que cada um possa fazer um exame de consciência.

 



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