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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

Cristãos escandalosos

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 46 de 13 de Novembro de 2014

«Escândalo, perdão e fé»: foram as três palavras, estreitamente ligadas entre si, propostas pelo Papa na missa. Palavras que Francisco tirou do trecho litúrgico do Evangelho de Lucas (17, 1-6), no qual «se fala de três coisas: escândalo, perdão e fé». Estas, frisou «são três palavras de Jesus: talvez não tenham sido ditas ao mesmo tempo mas o evangelista colocou-as juntas». Eis o fio condutor da reflexão do Pontífice.

O primeiro termo sobre o qual o Papa reflectiu foi «o escândalo». «Causa-me admiração — confidenciou — o modo como Jesus termina» o seu discurso: depois de ter falado sobre o escândalo, diz: «Estai atentos a vós mesmos!». Com este discurso tão «forte» Jesus dirige-se «a nós, aos cristãos». E consequentemente «devemos questionar-nos: eu escandalizo?» E ainda antes: «o que é o escândalo?». E explicou: «é dizer e professar um estilo de vida — “sou cristão” — e depois viver como um pagão que não crê em nada». E isto «causa escândalo porque falta o testemunho: a fé confessada deve ser vivida».

Neste raciocínio Francisco referiu-se à primeira leitura, tirada da Carta a Tito (1, 1-9), frisando que «Paulo escreve ao seu discípulo, o bispo Tito, e aconselha como se devem comportar os sacerdotes, os bispos, que são administradores de Deus». Porque «quando um sacerdote — padre ou bispo — não vive de acordo com o Evangelho, escandaliza, causa escândalo».

E Francisco insistiu, «quantas vezes ouvimos, homens e mulheres que dizem: “Mas não vou à igreja porque é melhor ser honesto em casa do que ir como aquele ou aquela e depois fazer isto e aquilo...”». Assim vê-se que «o escândalo destrói a fé». E é por isso que Jesus repete: «Estai atentos!». Porque todos nós «somos capazes de escandalizar».

A segunda palavra que Lucas sugere é «perdão». Jesus, no Evangelho, «fala do perdão e — evidenciou o Papa — aconselha-nos a não nos cansarmos de perdoar: perdoar sempre. Porquê? Porque eu fui perdoado». De facto, «o primeiro perdoado na minha existência sou eu. E portanto não tenho o direito de não perdoar: sou obrigado, pelo perdão recebido, a perdoar os outros». Pois «um cristão que não é capaz de perdoar, escandaliza: não é cristão».

Certamente, disse o Papa, «compreende-se que, ao ouvir estas coisas, os discípulos tenham pedido ao Senhor: aumente em nós a fé». De facto, «se faltar a fé não podemos viver sem escandalizar e perdoando sempre». Temos necessidade da «luz da fé que recebemos, da fé num Pai misericordioso, num Filho que deu a vida por nós, num Espírito que está dentro de nós e nos ajuda a crescer, da fé na Igreja, do povo de Deus, baptizado, santo». E «isto é um dom». O Pontífice concluiu sugerindo a reflexão sobre «estas três palavras».

 


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