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CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS BISPOS DA AMÉRICA DO NORTE, CENTRAL E DAS CARAÍBAS
REUNIDOS EM DALLAS PARA UM SEMINÁRIO
PROMOVIDO PELO CENTRO JOÃO XXIII

 

Aos meus irmãos Bispos
da América do Norte e Central e das Caraíbas

É com particular alegria que vos saúdo no momento em que vos reunis para reflectir uma vez mais acerca do mistério da vida em Jesus Cristo. Sei que foi a grande generosidade dos Cavaleiros de Colombo que tornou possível a muitos de vós estar presentes para ouvir, para compartilhar e para reflectir sobre a riqueza da vida vivida na graça de Deus. Esta oportunidade, proporcionada pelo Centro João XXIII, é muito rara, não só porque muitos de vós têm programas de trabalho muito intensos, mas também devido às grandes distâncias que vos separam uns dos outros. Espero, pois, que aprecieis este momento em que vos encontrais, tomando consciência da especial ocasião que ele constitui. Aquilo que vós estais a fazer agora não representa um tempo tomado ao vosso ministério, mas um tempo utilizado para o reforçar, uma vez que como Bispos sois chamados a ensinar, santificar e governar. Não podeis portanto ocupar de uma forma melhor o vosso tempo e as vossas energias durante esta semana do que procurando discernir mais claramente aquilo que o Espírito Santo está a ensinar na Igreja. A vossa compreensão deste ensinamento influirá sobre a vossa orientação das comunidades de fé, orientações que pela própria vontade do Senhor, levará o seu povo a estar cada vez mais perto dele, tornando-se deste modo o povo santo que é chamado a ser.

Dedicar-vos-eis nos próximos dias ao estudo de alguns temas no vasto campo da teologia moral. Os múltiplos problemas do mundo de hoje, vistos com uma urgência cada vez maior através dos modernos meios de comunicação, receberão certamente a atenção que merecem, e não desejo por isso elencá-los aqui. Gostaria, apesar de tudo, de vos oferecer um contexto no qual e através do qual podereis penetrar na nuvem, por vezes tão escura, que tem desde há algum tempo obscurecido o ensinamento da Igreja na área da moral e da vida cristã. Este contexto não é senão a própria pessoa do Senhor Jesus, que disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo. 14, 6). As suas palavras são ao mesmo tempo uma realidade e uma promessa: Ele não só representa o único caminho para a vida eterna, como nos promete também a sua própria graça, o fruto da sua Redenção, aquele perene poder oferecido ao mundo pela sua Cruz e Ressurreição. Não deveríamos esquecer nunca esta sua graça: ela é a nossa única esperança. Jesus é também a verdade: não uma espécie de verdade seca e estéril, mas uma pessoa, presente no nosso mundo de um modo tão real como há dois mil anos. Quando estudamos teologia moral devemos perguntar-nos, pois: "Que diferença faz Jesus na nossa vida?".

E Jesus é a vida. Os factos da sua existência histórica tornam cada vez mais claro este facto central: a vida em Jesus Cristo é uma vida orientada para a santidade, porque Deus, fonte e termo de toda a vida, é santo. Num sentido profundo podemos então dizer, devemos dizer: a Igreja defende a vida! O seu Magistério é uma realidade viva e activa. Nos membros da Igreja, reunidos numa única fé, apoiados pela esperança, e vivendo em amor, é o próprio Senhor Jesus que continua vivo no mundo. Através do Evangelho, e Igreja anuncia a vida, e nos sacramentos ela celebra a vida: a Igreja vive no Senhor!

Não admira, pois, que a vida humana, em toda a riqueza da sua existência seja considerada pela Igreja como a realidade sagrada que ela de facto é. O vosso estudo de teologia moral aumentará sem dúvida o vosso apreço pela vida. E quando, através do vosso ministério nas Igrejas locais confiadas ao vosso cuidado pastoral, levardes o vosso povo a honrar, a defender, a escolher a vida em todas as suas dimensões, estareis a conduzi-lo a uma relação cada vez mais estreita com o Deus trino, eterna comunidade de vida e de amor. Ao fazer isto pelo vosso povo, deveis estar certos de que não o podereis servir de um modo melhor. Através do vosso ministério pastoral não podereis comunicar nada mais precioso do que a participação na vida da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, a quem seja dada honra e glória pelos séculos dos séculos.

Vaticano, 25 de Janeiro de 1984

JOÃO PAULO PP. II

 

 



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