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DISCURSO DO SANTO PADRE AO NOVO EMBAIXADOR
 DO PANAMÁ JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
 DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Sábado 28 de Fevereiro de 1998

 

Senhor Embaixador 

É-me sumamente grato recebê-lo neste acto solene em que apresenta as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Panamá junto da Santa Sé, e que me oferece também a oportunidade para o saudar e lhe dar as minhas mais cordiais boas-vindas.

Agradeço de coração a deferente mensagem que o Senhor Presidente da República, Dr. Ernesto Pérez Balladares, teve a gentileza de me enviar por seu intermédio. Desejo retribuir a mesma, manifestando os meus melhores votos de prosperidade e paz para o querido povo panamenho. Por isso, peço-lhe, Senhor Embaixador, que se faça intérprete desses votos à mais alta autoridade da sua Nação.

2. Desde que Núñez de Balboa, atravessando as suas terras, descobrira o Oceano Pacífico para a cultura europeia, o Panamá distinguiu-se por ser encruzilhada entre as terras americanas e os grandes mares que as rodeiam, especialmente depois da construção do canal interoceânico, que tem o seu nome. Ao aproximar-se já o momento em que o seu País assumirá a gestão desta grande obra do engenho humano, ele prepara-se para dar também um passo decisivo na vocação que o destino parece ter-lhe designado, de ser ponte de comunicação e lugar de encontro.

Deste modo, o começo do terceiro milénio adquire para os panamenhos características muito particulares e abre-lhes fundadas esperanças de um sensível melhoramento nas condições de vida do seu povo, uma crescente afirmação da sua própria identidade e um maior protagonismo na história. 

Além disso, a coincidência deste acontecimento com a celebração do Grande Jubileu do Ano 2000, oferece ao povo panamenho uma ocasião providencial para viver com particular intensidade o «ano de graça», que a Igreja proclama para todos os cristãos. Com efeito, a tradição bíblica do Jubileu afunda as suas raízes no supremo domínio de Deus sobre a terra e na vontade de o exercer em favor dos homens, especialmente os mais desafortunados, abrindo sobretudo para eles novas possibilidades (cf. Lv 25, 23; Tertio millennio adveniente, 12-13). Dessa experiência profunda de fé na intervenção salvífica e providente do Senhor, nasce no homem uma atitude agradecida e, ao mesmo tempo, respeitosa e responsável ante os bens da criação.

3. Estas perspectivas de um futuro promissor são também um apelo a todos os panamenhos, e de modo especial aos seus representantes e àqueles que têm responsabilidades directas na administração do bem comum, para que as circunstâncias favoráveis sejam postas ao serviço de um progresso integral para todos os cidadãos. Com efeito, o simples incremento dos bens materiais não é o mais importante na vida dos homens, dos empreendimentos e dos povos. Ao contrário, «o desenvolvimento volta-se contra aqueles a quem se quereria favorecer» (Sollicitudo rei socialis, 28) quando se limita à dimensão económica. «É necessário, por isso, esforçar-se por construir estilos de vida, nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento» (Centesimus annus, 36). 

É, pois, para desejar que as novas oportunidades sejam aproveitadas para incrementar a solidariedade, sobretudo com as pessoas e os grupos menos favorecidos, e potenciar com maiores esperanças de êxito as iniciativas já enfrentadas pelo Governo, encaminhadas a promover as zonas mais deprimidas do País ou remediar as consequências produzidas pelas adversidades naturais, respeitando sempre o devido antagonismo de cada sector, o que requer que se possa contar com a participação de todos na elaboração e realização dos projectos. Com efeito, a história recente da humanidade demonstra como é efémero e frágil um desenvolvimento que, em benefício da máxima produtividade de bens materiais, sacrifica o papel primordial da pessoa em toda a actividade humana ou explora de maneira desmedida e destrutiva uma terra, que o Criador confiou ao homem como administrador responsável e respeitoso (cf. Gn 1, 28).

4. É-me grato constatar que as relações do seu País com a Santa Sé estão caracterizadas pelo respeito mútuo e o espírito de colaboração. Elas são o reflexo da íntima relação que une a Igreja com o povo panamenho, ao qual serviu e acompanhou desde que a Cruz de Cristo foi plantada nessas terras, proclamando e iluminando nos seus filhos «a sublime vocação do homem e o gérmen divino que nele está depositado» (Gaudium et spes, 3). 

Conscientes dos valores que, inspirados pelo Evangelho, enobrecem as pessoas e as nações, os católicos sentem como um dever iniludível cooperar para o bem comum, pondo ao seu serviço, além das capacidades técnicas e intelectuais de cada um, uma especial sensibilidade pelos aspectos éticos e espirituais que dignificam e enriquecem o ser humano e sustentam a sua convivência em sociedade. Ao proclamar a grandeza da dignidade da pessoa, criada e querida tual e religiosa próprias do ser humano.

Estas relações, além disso, põem de manifesto a comum estima pelos valores humanos e espirituais, que a Santa Sé proclama constantemente nos foros internacionais. Esses valores precisam de ser afirmados com vigor, num momento histórico em que a comunicação e a interdependência económica, política e cultural entre as nações tornam necessária uma frente comum, nas grandes opções que podem determinar o futuro da humanidade. Com efeito, é de capital importância que, apesar das insídias de certos interesses imediatos, se promovam os direitos humanos em todo o seu alcance e integridade, como recordei na minha última mensagem para o Dia Mundial da Paz (cf. n. 2), se continue confiando no diálogo como o melhor meio para resolver os conflitos e, por fim, se promova uma autêntica civilização da vida e do amor.

5. Ao terminar este encontro, Senhor Embaixador, quero dizer-lhe que, apesar dos anos transcorridos desde a minha Visita Pastoral em 1983, tenho muito viva a recordação do Panamá, das suas comunidades eclesiais, das suas famílias e povos. Como naquela ocasião, desejo-lhes prosperidade e paz, pedindo para todos o grande dom da esperança que «oferece motivações sólidas e profundas para o empenhamento quotidiano na transformação da realidade, a fim de a tornar conforme ao projecto de Deus» (Tertio millennio adveniente, 46).

Com estes sentimentos, reitero as minhas cordiais boas-vindas a Vossa Excelência e à sua distinta família, ao mesmo tempo que formulo os meus melhores votos para que a sua permanência em Roma seja muito grata e a sua missão produza os frutos que todos esperamos para o bem da querida Nação panamenha.

 

© Copyright 1998 - Libreria Editrice Vaticana 

 



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