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VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO PAULO II À ESLOVÁQUIA
(11-14 DE SETEMBRO DE 2003)

MENSAGEM DO SANTO PADRE AOS MEMBROS
DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DA ESLOVÁQUIA

Baská Bystrica, 12 de Setembro de 2003

 

Aos venerados Pastores
da Igreja que está na Eslováquia

1. É com íntima alegria que, hoje, me encontro convosco, caros Irmãos no Episcopado, para um momento de partilha fraterna, que nos leva com o pensamento aos Apóstolos reunidos à volta de Jesus para descansar numa pausa saudável entre os cansaços da pregação e do apostolado (cf. Mc 6, 30-32).

"Ecce quam bonum et quam iucundum habitare fratres in unum!" (Sl 133, 1). Saúdo-vos a todos e abraço-vos no Senhor, e renovo a estima e a gratidão da Igreja pelo zelo que mostrais, apascentando os fiéis que vos foram confiados (cf. 1 Pd 5, 2-3).

Uno-me cordialmente à vossa acção de graças ao Senhor, na celebração do X aniversário da constituição da vossa Conferência Episcopal.

2. A Igreja de Deus que está na Eslováquia, saída dos tempos obscuros da perseguição e do silêncio, em que ofereceu uma prova luminosa de fidelidade ao Evangelho, nestes últimos anos pôde retomar as suas actividades, estabelecendo também as estruturas necessárias para o livre exercício da sua missão.

Recordo com prazer, entre outras coisas, o Acordo geral de base, assinado com a República Eslovaca em 2000, o trabalho das Comissões mistas para preparar outros Acordos parciais, a erecção do Ordinariado Militar, a abertura da Universidade Católica em Ruzomberok e o aumento da potência das transmissões da Rádio Lumen.

3. Além destas realizações, estais a comprometer-vos mais em geral em ordem à renovação da vida cristã e vários níveis. Os resultados que se estão a alcançar são confortadores. Muitas pessoas voltaram a encontrar a coragem evangélica de declarar abertamente a sua fé católica, como realça o recenseamento de 2001. O trabalho apostólico realizado com zelo sob a vossa orientação por numerosos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos empenhados está a dar os seus frutos. Louvado seja o Nome do Senhor!

Exorto-vos a continuar com coragem o caminho começado:  a formação humana e espiritual, juntamente com uma adequada preparação cultural, seja objecto de um compromisso especial nos Seminários e nas Casas religiosas, para dar à Igreja e ao mundo sacerdotes e pessoas consagradas que saibam ser apóstolos humildes e ardentes do Evangelho. Com a oração ao "Senhor da messe", com a sensibilização das consciências, com uma sábia acção pastoral, é urgente promover um novo florescimento de vocações sacerdotais e religiosas. Em última análise, é disto que depende o futuro da Igreja que está na Eslováquia.

Além disso, venerados Irmãos, contai com confiança e sabedoria, com a colaboração de leigos comprometidos na animação cristã das realidades temporais. Acompanhai com cuidado a família, templo do amor e da vida, proclamando e defendendo a unidade e a indissolubilidade do matrimónio. Olhai com amor para os jovens, que são o presente e o futuro da Igreja e da sociedade. Cultivai um diálogo aberto com o mundo da cultura, ajudados pela convicção de que "a fé e a razão "se ajudam mutuamente", exercendo uma em prol da outra, uma função tanto de discernimento crítico e purificador, como de estímulo para progredir na investigação e no aprofundamento" (Carta Encíclica Fides et ratio, 100).

4. Tende cuidado dos fracos e dos pobres, em quem Cristo pede para ser reconhecido (cf. Mt 25, 40). Com solicitude pastoral, estai próximos dos desempregados, enfrentando a sua difícil situação e estimulando todas as forças sociais a fazer o possível para criar novos postos de trabalho, em que sobretudo os jovens possam encontrar posições oportunas para as suas capacidades, com frequência aprimoradas através de anos de preparação teórica e prática.

Sabeis muito bem como a promoção humana favorece também a evangelização, que permanece sempre o compromisso primeiro da Igreja. A este propósito, quero realçar que a celebração dos Sínodos diocesanos, já proclamados nas Dioceses de Banská Bystrica e de Kosice, será um instrumento útil para renovar e incrementar a acção pastoral e o anúncio da Boa Nova aos homens e às mulheres do nosso tempo.

5. Venerados Irmãos, o Papa sabe que o ministério episcopal traz consigo espinhos e cruzes, que muitas vezes permanecem fechados no segredo do coração. Mas ele sabe ainda, como de resto também vós o sabeis, que no plano misterioso da Providência estes sofrimentos constituem uma garantia da fecundidade de um apostolado que, com a ajuda de Deus, produzirá frutos abundantes.

Não desanimeis e não vos deixeis dominar pelas dificuldades e pelo cansaço. Contai sempre com a ajuda da graça do Senhor, que faz maravilhas também através das nossas debilidades (cf. 2 Cor 12, 9).

Caros Irmãos, como coroação deste nosso encontro, gostaria de voltar a ler convosco aquilo que afirma, na sua parte conclusiva, o Directório para o Ministério Pastoral dos Bispos:  "Precisamente porque é o centro unitivo-dinâmico da Diocese, o Bispo constitui-se, mais do que todos os outros, como servo de Deus e do seu povo santo. Toda a sua autoridade, todos os seus deveres quando são concebidos e exercidos em conformidade com o Evangelho são um serviço excelente e contínuo, porque exigem dele a caridade perfeita, que o prepara para dar também a sua própria vida pelos irmãos. Sobretudo para o Bispo, comandar é alegrar-se, presidir é servir, governar é amar; a honra transforma-se em responsabilidade".

A Virgem Maria, que neste País venerais como Mãe dolorosa do Senhor, vos conserve a todos no seu coração maternal e para todos obtenha a abundância das graças divinas.

A vós e às vossas comunidades, a minha afectuosa Bênção.

Banská Bystrica, 12 de Setembro de 2003.

JOÃO PAULO II

 



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