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MENSAGEM DO PAPA PAULO VI
POR OCASIÃO DO SESQUICENTENÁRIO
DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Domingo, 3 de Setembro de 1972

 

Veneráveis Irmãos e diletos Filhos

A graça e a paz a vós, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, que aqui vos congregou, no amor do seu Espírito, para afirmardes a vossa fé e a vossa esperança!

Sesquicentenário da Independência do Brasil: em solene ato religioso e num lugar significativo, Hierarquia e fiéis desse querido País evocam a grande efeméride.

A convite da Conferência Nacional dos Bispos, queremos afirmar-Nos presente, de algum modo, nessa assembleia eucarística, a impetrar os favores celestiais sobre a Pátria brasileira.

Peregrina com a humanidade, no seio da história, a Igreja não se alheia dos acontecimentos e datas que marcam os destinos dos povos. E, dada a sua missão própria, de ordem religiosa, ao inserir-se nas vicissitudes deste mundo, intenta ela iluminá-las com a luz do amor de Deus, manifestado em Cristo.

O fato comemorado aqui - a Independência - não é algo perfeito, alcançado de uma vez para sempre: é de vir, acquisição a renovar cada dia. Nesse processo vital, todos os interessados, e portanto também os filhos da Igreja, têm um papel, que não podem declinar, porque integra a sua fidelidade a Deus e influi no indispensável crescer na graça e conhecimento de Jesus Cristo.

O Brasil recebeu o dom da Fé, ao tornar-se, desde os alvores da sua descoberta, parcela do novo Povo de Deus. Assinalado com marca inconfundível «Terra de Vera Cruz», começou a percorrer a sua história fortalecido pela Eucaristia, na primeira Missa, nas plagas de Pôrto Seguro. E, graças à proteção do Altíssimo, acha-se essa história nimbada por gloriosa tradição cristã.

Mas, a Fé que ilumina todas as coisas com uma luz nova, e faz conhecer o desígnio divino acerca da vocação integral do homem, é um compromisso: para as pessoas e para os grupos, o compromisso de «ficarem atentos a tudo o que Deus ordena» (Cfr. Ex. 34, 11); depois, movidos pela caridade, de cooperarem para o bem comum, com sentido de responsabilidade, buscando sempre e em todas as coisas, a justiça do reino de Deus (Cfr. Apostolicam Actuositatem, 7).

É assim que se há de corresponder, em fidelidade, às exigências da «vida nova», em Cristo, pois «fiel é Deus, que nos chamou à comunhão de seu Filho» (1 Cor. 1, 9), a fim de sermos, também nós, filhos; e, em família, vivermos e proclamarmos as virtudes do seu reino, «procedendo como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste em toda a sorte de bondade, de justiça e de verdade» (Eph. 5, 8-9).

Ora, isto há de refletir-se no comportamento individual e na vida social, na santidade da família, e no esforço conjugado em promover a ordem e o progresso colectivos, para superar situações de necessidade e para um equilíbrio cada vez mais humano e fraterno, entre os membros da comunidade, participantes, todos, nas responsabilidades e nos direitos que cabem aos cidadãos.

Que a Mãe da Igreja e Padroeira do Brasil - Nossa Senhora Aparecida - alcance de Deus que, de acôrdo com a sua tradição cristã, cada brasileiro contribua, segundo os dons e as funções que lhe foram confiadas, para uma Nação cada vez mais próspera; e que aí, o reino de Cristo se afirme e cresça sempre, como «reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz», a iluminar os caminhos de serena fraternidade, em progresso crescente e por todos comungado.

Com saudações cordiais e amigas, a todos os brasileiros, a Nossa Bênção Apostólica: em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amen!

 

 

                                      



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