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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

O bilhete de identidade do cristão

Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 24 de 12 de junho de 2014

As bem-aventuranças são «o bilhete de identidade do cristão». Por isso o Papa Francisco exortou a reler as páginas do Evangelho para poder viver profundamente um «programa de santidade» que vá «contra a corrente» em relação à mentalidade do mundo.

O Pontífice evocou de maneira pormenorizada o trecho evangélico de Mateus (5, 1-12) proposto pela liturgia. E repropôs as bem-aventuranças inserindo-as no contexto da nossa quotidianidade. Jesus, explicou, fala «com toda a simplicidade» e faz quase «uma paráfrase, um comentário dos dois grandes mandamentos: amar o Senhor e amar o próximo». De modo que «se um de nós se perguntar: “Como possa fazer para me tornar um bom cristão?”», a resposta é simples: é preciso fazer o que Jesus diz no discurso das bem-aventuranças».

Um discurso, reconheceu o Pontífice, muito «contra a corrente», em relação «ao que é habitual, ao que se faz no mundo». De resto, a questão é que o senhor sabe «onde se encontra o pecado e onde está a graça, e conhece bem as estradas que levam ao pecado e as que conduzem à graça». Eis o sentido das suas palavras «felizes os pobres em espírito»: isto é «pobreza contra riqueza».

«O rico — explicou o bispo de Roma — normalmente sente-se seguro com as suas riquezas. O próprio Jesus no-lo disse na parábola do celeiro», ao falar sobre aquele homem que, como um insensato, não pensa que pode morrer naquele mesmo dia.

«As riquezas — acrescentou — nada te garantem. Aliás, quando o coração é rico, sente-se tão satisfeito de si mesmo, que não há lugar para a palavra de Deus». Por isso Jesus diz: «Bem-aventurados os pobres em espírito, que têm o coração pobre para que o Senhor possa entrar». E também: «Bem-aventurados os que choram porque serão consolados».

Ao contrário, frisou o Pontífice, «o mundo diz-nos: a alegria, a felicidade, o divertimento, isto é o bom da vida!». E «ignora, olha para o outro lado, quando existem problemas de saúde, de dor na família». De facto, «o mundo não quer chorar: prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las». Mas «só a pessoa que vê as situações como são, e chora no seu coração, é feliz e será consolada»: com a consolação de Jesus e não com a do mundo.

Depois de ter comentado brevemente cada uma das bem-aventuranças, afirmou que «este é o programa de vida que Jesus nos propõe». Um programa «muito simples mas ao mesmo tempo muito difícil».

Eis o caminho, explicou, para «viver a existência cristã a nível de santidade». De resto, acrescentou, «os santos só vivem as bem-aventuranças e o protocolo do juízo final». São «poucas e simples palavras, mas práticas para todos porque o cristianismo é uma religião prática: de acção, deve ser praticada não só pensada».

E concluiu: «Hoje, se tendes um pouco de tempo, lede o Evangelho de Mateus, capítulo cinco, estas bem-aventuranças estão no início». E depois «no capítulo 25, encontramos as outras» palavras de Jesus. E exortou – «Far-vos-á bem ler duas ou três vezes este programa de santidade».

 



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