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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO NOVO EMBAIXADOR DO EQUADOR JUNTO DA SANTA SÉ
POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Segunda-feira, 19 de dezembro de 1983

 

Senhor Embaixador

Seja bem-vindo a este acto com o qual, ao apresentar hoje as Cartas Credenciais, começa a sua missão como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Equador junto da Santa Sé.

Agradeço-lhe antes de mais as expressões de estima cordial que dirigiu a esta Sé Apostólica, as quais demonstram a estatura moral do seu nobre povo que, fiel à sua história, continua a beneficiar de um património cultural e espiritual, fruto da secular presença evangelizadora da Igreja.

Referiu-se Vossa Excelência a alguns valores que caracterizam e fazem parte da tradição do seu País, e que constituem ao mesmo tempo um objectivo, preocupação e defesa para o dia de hoje e para o de amanhã; tais são a Fé, a liberdade e a cultura, a promoção dos direitos e o desejo de paz e de justiça.

A grande maioria dos cidadãos equatorianos professam a fé católica, fruto permanente da primeira evangelização, a qual — como indica o Documento de Puebla — representa para a Igreja a sua missão fundamental, e não é possível cumpri-la sem um esforço permanente de conhecimento da realidade e de adaptação dinâmica, atractiva e convincente da Mensagem aos homens de hoje (cf. n. 85).

Evangelizar significa para a Igreja levar a Boa Nova a todos os ambientes humanos e renová-los a partir de dentro, e para isso é necessário que cada homem receba o dom da fé pelo baptismo. A evangelização não se reduz, porém, ao anuncio do Evangelho, ela incluí também o empenho em transformar com a sua força os critérios, as linhas de pensamento e os modelos de vida da humanidade, a fim de que estejam de acordo com a Palavra de Deus e com o seu desígnio de salvação.

Por isso, a Igreja sente o dever de anunciar esta salvação e libertação, que estão profundamente vinculadas com a promoção humana, “porque o homem que deve ser evangelizado não é um ser abstracto, mas um ser sujeito aos problemas sociais e económicos” (Evangelii nuntiandi, 31).

A Igreja no Equador, fiel ao mandato de Cristo, deseja continuar a realizar a sua obra evangelizadora, iluminando e orientando a comunidade dos crentes nesta hora crucial da humanidade, para construir um mundo onde reine o necessário progresso, a paz, a justiça e a liberdade, valores primários do homem e da sua dignidade, que Cristo quer para todos, porque Ele mesmo, com a sua encarnação, se uniu de certo modo a todo o ser humano, e "manifesta plenamente o homem ao próprio homem, mostrando-lhe a sublimidade da sua vocação” (Redemptor hominis, 8).

Nem sequer a cultura pode ser separada da evangelização; ainda que não se identifique com ela, constitui apesar de tudo um seu elemento indispensável, porque ajuda a pessoa a alcançar um nível plenamente humano ao proporcionar-lhe a oportunidade de desenvolver as suas qualidades espirituais e corporais.

Existe no Equador uma pluralidade de culturas que fazem parte de um rico património. A Igreja não é indiferente a esta realidade e, como continuadora do trabalho dos primeiros missionários, aprecia em toda a sua extensão e favorece esses valores que deseja ver promovidos. É assim que a fé cristã, unida à cultura local característica, se enraizou profundamente e constituí uma realidade fecunda não só no Equador mas também nas demais nações do chamado “Continente da Esperança”.

Este facto foi posto em evidência de modo particular nas diversas celebrações efectuadas por ocasião da comemoração do bicentenário do nascimento de Simão Bolívar, figura que tanto entrou no coração do povo do Equador, e que viu na Igreja um forte elemento integrador para uma América livre e unida.

Senhor Embaixador, ao formular os meus votos de que possa cumprir dignamente a sua missão hoje iniciada, peço ao Altíssimo que abençoe o Senhor Presidente da República do Equador, as Autoridades, todos e cada um dos seus concidadãos, assim como Vossa Excelência, a sua família e todos os que lhe são caros.

 



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