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DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
AOS PEREGRINOS DA DIOCESE ITALIANA
DE ALTAMURA-GRAVINA-ACQUAVIVA DELLE FONTI

Sala Paulo VI
Sábado, 2 de Julho de 2011

 

Excelência
Prezados irmãos e irmãs

Estou realmente feliz por vos acolher em tão grande número e cheios do entusiasmo da fé. Obrigado! Estou grato ao Bispo D. Mario Paciello pelas palavras que me dirigiu em nome de todos. Saúdo as Autoridades civis, os Sacerdotes, os Religiosos e as Religiosas, os Seminaristas e cada um de vós, alargando o meu pensamento e o meu afecto à vossa Comunidade diocesana, em particular àqueles que vivem situações de sofrimento e de dificuldade. Dou graças ao Senhor porque a vossa visita me oferece a possibilidade de compartilhar um momento do caminho sinodal da Igreja que está em Altamura - Gravina - Acquaviva delle Fonti. O Sínodo constitui um acontecimento que faz viver concretamente a experiência de ser «Povo de Deus» a caminho, de ser Igreja, comunidade peregrina na história, em vista do seu cumprimento escatológico em Deus. Isto significa reconhecer que a Igreja não contém em si mesma o princípio vital, mas depende de Cristo, de Quem é sinal e instrumento eficaz. Na relação com o Senhor Jesus, ela encontra a própria identidade mais profunda: ser dom de Deus para a humanidade, prolongando a presença e a obra de salvação do Filho de Deus por meio do Espírito Santo. Neste horizonte compreendemos que a Igreja é essencialmente um mistério de amor ao serviço da humanidade, em vista da sua santificação. Sobre este ponto, o Concílio Vaticano II afirmou: «Aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente» (Lumen gentium, 9). Vemos aqui que na realidade a Palavra de Deus criou um povo, uma comunidade, criou uma alegria comum, uma peregrinação conjunta rumo ao Senhor. Portanto, o ser Igreja não deriva apenas de uma nossa força organizativa, humana, mas encontra a sua nascente e o seu significado na comunhão de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo: este amor eterno é a fonte da qual deriva a Igreja, e a Santíssima Trindade é o modelo de unidade na diversidade, gera e plasma a Igreja como mistério de comunhão.

É necessário recomeçar sempre e de modo novo a partir desta verdade, para compreender e viver mais intensamente o ser Igreja, «Povo de Deus», «Corpo de Cristo», «Comunhão». Caso contrário, corre-se o risco de reduzir tudo a uma dimensão horizontal, que desvirtua a identidade da Igreja e o anúncio da fé, e empobreceria a nossa vida e a vida da Igreja. É importante sublinhar que a Igreja não é uma organização social, filantrópica, como existem muitas outras: ela é a Comunidade de Deus, é a Comunidade que crê, que ama e que adora o Senhor Jesus, que abre as «velas» ao sopro do Espírito Santo, e por isto é uma Comunidade capaz de evangelizar e de humanizar. A profunda relação com Cristo, vivida e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, torna eficaz o anúncio, motiva o compromisso em prol da catequese e anima o testemunho da caridade. Muitos homens e mulheres do nosso tempo têm necessidade de encontrar Deus, de encontrar Cristo ou de redescobrir a beleza do Deus próximo, do Deus que em Jesus Cristo mostrou o seu rosto de Pai e chama a reconhecer o sentido e o valor da existência. Fazer compreender que é bom viver como homem. Como sabemos, o actual momento histórico está marcado por luzes e sombras. Assistimos a atitudes complexas: egoísmo, narcisismo, desejo de posse e de consumo, sentimentos e afectos desvinculados da responsabilidade. Muitas são as causas desta desorientação, que se manifesta numa profunda dificuldade existencial, mas no fundo de tudo podemos entrever a negação da dimensão transcendente do homem e da relação fundadora com Deus. Por isso, é decisivo que as comunidades cristãs promovam percursos de fé válidos e exigentes.

Estimados amigos, há que prestar uma atenção particular ao modo de considerar a educação para a vida cristã, a fim de que cada pessoa possa realizar um caminho de fé autêntico, através das diversas fases da vida; um caminho no qual — como a Virgem Maria — a pessoa acolhe profundamente a Palavra de Deus e a põe em prática, tornando-se testemunha do Evangelho. O Concílio Vaticano II, na Declaração Gravissimum educationis, afirma: «A educação cristã tende principalmente a fazer com que os baptizados, enquanto são introduzidos de maneira gradual no conhecimento do mistério da salvação, se tornem cada vez mais conscientes do dom da fé que receberam... se disponham a levar a própria vida segundo o homem novo, em justiça e santidade da verdade» (n. 2). Neste compromisso educativo, a família permanece a primeira responsável. Caros pais, sede as primeiras testemunhas da fé! Não tenhais medo das dificuldades no meio das quais sois chamados a cumprir a vossa missão. Não estais sozinhos! A comunidade cristã está próxima de vós e sustém-vos. A catequese acompanha os vossos filhos no seu crescimento humano e espiritual, mas ela deve ser considerada como uma formação permanente, não limitada à preparação para receber os Sacramentos; durante toda a nossa vida, devemos crescer no conhecimento de Deus, assim como no significado do ser homem. Sabei haurir sempre força e luz da Liturgia: a participação na Celebração eucarística no Dia do Senhor é decisiva para a família, para toda a Comunidade, é a estrutura do nosso tempo. Recordemos sempre que nos Sacramentos, sobretudo na Eucaristia, o Senhor Jesus age em prol da transformação dos homens, assimilando-os a Si. É precisamente graças ao encontro com Cristo, à comunhão com Ele, que a comunidade cristã pode dar testemunho da comunhão, abrindo-se ao serviço, acolhendo os pobres e os últimos, reconhecendo o rosto de Deus no enfermo e em cada necessitado. Portanto convido-vos, a começar pelo contacto com o Senhor na oração quotidiana e sobretudo na Eucaristia, a valorizar de modo adequado as propostas educativas e os percursos de voluntariado existentes na diocese, para formar pessoas solidárias, abertas e atentas às situações de dificuldade espiritual e material. Em síntese, a obra pastoral deve ter em vista a formação de pessoas maduras na fé, para viver em contextos nos quais muitas vezes Deus é ignorado; pessoas coerentes com a fé, para que a luz de Cristo seja levada a todos os ambientes; pessoas que vivem com alegria a fé, para transmitir a beleza de ser cristãos.

Enfim, desejo dirigir um pensamento especial a vós, caros sacerdotes. Sede sempre reconhecidos pelo dom recebido, para que possais servir, com amor e dedicação, o Povo de Deus confiado aos vossos cuidados. Anunciai o Evangelho com coragem e fidelidade, sede testemunhas da misericórdia de Deus e, orientados pelo Espírito Santo, sabei indicar a verdade, sem ter medo do diálogo com a cultura e com quantos se põem em busca de Deus.

Amados irmãos e irmãs, confiemos o caminho da vossa Comunidade diocesana a Maria Santíssima, Mãe do Senhor e Mãe da Igreja, nossa Mãe. Nela contemplamos aquilo que a Igreja é e está chamada a ser. Com o seu «sim», Ela concedeu Jesus ao mundo e agora participa plenamente da glória de Deus. Também nós somos chamados a oferecer o Senhor Jesus à humanidade, sem esquecer que somos sempre seus discípulos. Agradeço-vos ainda muito a vossa bonita visita e, de todo o coração, estou-vos grato pela vossa fé e acompanho-vos com a oração, enquanto vos concedo a Bênção Apostólica, a todos vós e à diocese inteira.

 



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